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domingo, 2 de fevereiro de 2014

ESQUERDAS, DIFICULDADES E INEVITABILIDADES

FOTO ACTUAL

 

Uma ordem política que descuida a intimidade sadia que os valores da legalidade e da juridicidade devem manter com os da moralidade e da eticidade, maleficia a coesão social, ofende a dignidade racional dos homens e humilha, sem contrição, a própria condição humana.

O discurso político do Governo e o da maioria parlamentar que o respalda, sobretudo este mais recente de eleitoralismo antecipado, descarado e sem-vergonha, em tinido de uma nota só, impudentemente e com cristalinidade, acrescido com o desplante sustento do concubinato financeiro e europeu, mostra - esse discurso - a perversidade dos tempos e a solércia entorpecente dos regedores de serviço à nossa combalida democracia.

A esquerda, embora destoante e diversamente enérgica no seu dever de oposição, tem de reconhecer que a malignidade da esperteza desse arengar assenta no conhecimento destas e daquelas outras (in)verdades que sabem explorar quando interessam e desdenhar fora disso. Nesta linha de raciocínio, espera-se da esquerda que saiba ser nobre, esclarecida e consequente e tudo faça para discernir os interesses capazes de agilizar a mobilização de uma razão prática que se torne causa poderosa na formação de uma vontade comum. Caso contrário, lamento ter de inferir que a direita governa porque a esquerda não o merece. O Capital rejubila, o Trabalho (entretanto) amargura…

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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

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ATENÇÃO 2014 - O CAGAÇO CORROMPE

8396525_fNabaO poder político torna-se mais burilado quanto menos democrático e tanto menos democrático quanto mais o medo enlaça a liberdade das gentes. Esculpida assim a sociedade, por um medo sabiamente exortado e candidamente desvelado pela dúvida nela asilada, o apetite totalitário agita a bafienta e exaurida recompensa histórica. O povo abre mão da liberdade e aquele arbítrio feito poder, atento e ciente da inevitabilidade da sua progressiva ilicitude, garante em troca a sua experimentada e obscena segurança. Os sinais vão-se hoje empilhando, e por essa razão densificada, convém espertar as gentes para a natureza não separativa mas dialética da relação. Sim, o povo quer segurança mas uma Segurança estribada no exercício da Liberdade e no respeito pela Democracia e pela Constituição que a regula. Acagaçados, nem de joelhos e de mãos em prece nos sobrará a dignidade de existir.

Imagem retirada DAQUI

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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

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A FORÇA E A AUTORIDADE DO NEGATIVO

120730-MarxB-e1343643612991Este tempo de crise que acontece envolve-me numa inexprimível moldura trágica. Embebida no bafo sufocante desse devasso pensamento que renega outras rotas, a desgraça faz-se calamitosa. A minha obstinada oposição marxiana ante a banalização das desigualdades, das servidões e das insolidariedades, se porventura aguça a caturrice, acrescenta todavia vigor redobrado à vivacidade do meu inconformismo. Na minha pirraça solidária, o sentido de historicidade, de materialidade e de dialética, torna-se numa saudável arma – na sua laboriosa e exigente filiação – para os desafios compromissórios da inteligibilidade com a  transformação. Uma salutar arma que acrescenta, à acolitada rebeldia desse inconformismo, a convincente mas restribada firmeza de lutar as lutas que valem. Por uma sociedade realmente diferente, capaz de causar e de exercer uma radical humanidade sem disfarces, sejam estes dolosas improbidades ou simples situacionismos de circunstância.

Pulsando entre uma alicerçada teimosia em que se funda o dever de acossar a iníqua ordem estabelecida e a institucionalização transitória das ruturas que se alcançam, decido sempre pelas portas que se deixam abertas à possibilidade da incontornável permanência de progressivas e humanas transformações sociais. Ou melhor, a mudanças incessantes no sentido exato de um ambicionado porvir em que a maldade, no seu amplo mas profundo significado ecológico, se confronte com distintos e acumulados embaraços em se aparentar com o seu incómodo contrário – e, sobretudo, em viver à custa dele. Não correndo atrás de nenhum fantástico paraíso, é confiante nestas mudanças possíveis que me procuro situar, sem arrogâncias ou rendições, nas disputas continuadas por uma sociedade com mais dignidade, com mais justiça e com mais humanidade. No entanto, não deixando de radicalizar em nome dos princípios aqui inscritos, não deixo igualmente de reconhecer o lado frágil, o lado demasiado humano, das histórias que nos fazem ser – sem possibilidades significativas de fuga – consequência dos múltiplos e contraditórios vínculos com que vamos enlaçando a complexa e contraditória totalidade das nossas existências.

Para desmedir o nosso já censurável infortúnio, a globalização uniu globalmente o capital e desconjuntou, ou procura ainda desarticular mais e com absoluto descaro, as forças críticas que o combatem. O discurso político e ideológico dos nossos poderes paroquiais revela-se, neste campo e pela sua obviedade, um patético e obsceno modelo. A persistente tentativa de cisão e de debilitação do campo do trabalho constitui o eficaz método e o avivar abjeto do sentimento penoso de sobrevivência proporciona-lhe o seu sórdido ingrediente. Por mim, e no contexto deste breve escrito, não vou aqui argumentar se o marxismo, enquanto doutrina política, pode ou não ser adequado, ou mesmo conveniente, para esclarecer a sociedade futura. Interessa-me, isso sim, reafirmar a sua fecundidade na análise do (neo)capitalismo que nos sitia, favorecendo um olhar crítico e indagador quanto à significação da inteligibilidade da sua intrínseca e incontornável contradição. Contradição que, no essencial, assenta, por um lado, na necessidade expansiva e ativa do consumo, visando a intenção cobiçosa e mal disfarçada da busca infindável de mais-valias, sobre fabricando mercadorias, não por elas, mas pelos lucros colossais que assim se geram, enquanto simultaneamente se empenha, no seu absurdo e contraditório movimento, em reduzir o poder aquisitivo dos trabalhadores e deixar de atender a evidentes necessidades humanas e sociais, multiplicando-se em cínicas arengas e ardilosas alegações. No fundo, as crises não são, afinal, mais do que contínuos sobressaltos, uns bem mais dramáticos do que outros, nesta persistente e histórica luta entre o trabalho e o capital ou, melhor dizendo, entre os muitos que habitam o mundo do trabalho e os poucos que se acobertam por detrás do capital e das suas agências. Objetivamente, este combate não permite neutralidades. Então, corajosamente, incomodemos os nossos mesquinhos sossegos: de que lado nos havemos de colocar?

 

 

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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

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AS RESSONÂNCIAS QUE SE TEIMAM EM SILENCIAR

CONTEXTOS DE VIDA E A RELAÇÃO CONSIGO MESMO E COM OS OUTROS

 

catálogo frente

Onde não há reciprocidade mora a dominação, o poder de um a vigiar pacientemente a desindividualização do outro. Tudo o que liga este a si mesmo é, subtil e silenciosamente, apresado e governado por aquele outro. Todavia, o retorno é sempre possível. Escutando o som dos rumores indizíveis, sopesando a sombria canseira da solidão e tomando a amargura como o nervo medular da insurgência. Audazmente, assim reinventando a vontade adormentada e, sem fraqueza, fazendo detonar a insistente patologia da triste submissão.

 

              Obra de  Ado Malagoli

                   Retirado DAQUI

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sábado, 12 de outubro de 2013

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UMA SOCIEDADE PORNOGRÁFICA APODERADA POR INSIGNES E PÍFIOS BATOTEIROS

 

“Oh! Sejamos pornográficos (docemente pornográficos)”

Carlos Drummond de Andrade

transferirÉ-me bem mais difícil corroborar que a pornografia é moralmente errada quando me confronto com uma sociedade globalmente arquitetada por uma vampírica economia política, sugadora de trabalho vivo e que deste vive tanto mais quanto mais dele se aproveita. Ao condenar-se a pornografia invocando os princípios morais da dignidade e do dano aos outros, pergunto-me: e se em nome da semelhança da relação reclamássemos esses mesmos princípios no juízo que fazemos da sociedade em que vamos sendo compelidos a viver? Se a pornografia não passa (de certo modo) de uma ficção, a vida concreta das pessoas é (todavia) feita de uma outra natureza e verdade bem mais reais e valorosas. Aplicando então o critério da intenção e atendendo aos seus efeitos, diria que a pornografia produz uma primária e compósita excitação enquanto a avidez capitalista ocasiona coisa bem pior e tangível: a exploração e a miséria a quem dela é vítima. Não obstante a indignidade e a obscenidade que em ambas perpassam, quanto a mim, prefiro viver inquietado pela excitação da pornografia do que perecer humilhado ante a baixeza da mancebia dolosa desta outra perversidade que (reinando) nos corrompe e atraiçoa.

Inscrevendo-se inevitavelmente num jogo de relações determinadas, necessárias e independentes da nossa vontade, a vida de cada um não escapa, neste quadro sempre regrado, a uma criação social de um viver intensamente decidido por uma singular e injusta base económica, a partir da qual se acertam, em ajustada moldura dialética, leis e políticas que açulam, e em simultâneo atraem, apetentes e desejáveis formas de consciência assim como receitam conformados e formatados comportamentos e, sem virtude, ordenam possibilidades e oportunidades. Pela sua extensão e desumana profundidade, a crise que hoje se vive constitui uma ocasião histórica para trabalhar uma mudança fundamental na dormente subjetividade social de modo a subverter a ordem institucional que qualifica a hegemónica organização desta atual e deprimente ordem (neo)capitalista. A adveniente consciencialização social e política necessária à mudança também passa por aqui, ou seja, passa por reconhecer que a compreensão da ação individual no seu quadro sistémico não pode deixar de valorizar a subjetividade como uma força de produção humana realmente capaz de insubmissão ao domínio do imediatismo instrumental deste batotar insistente do capital. Na escalada das obscenidades, um corpo nu grosseiramente exposto pode ser obsceno. Todavia, uma sociedade escaveirada na sua dignidade, despelada nos seus direitos e despida nos seus sonhos é tragicamente uma sociedade que entranha na mais infeliz das obscenidades a sua intrínseca pornografia.

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

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A CANALHA ENVINAGROU-SE

irritado_thumb40É por isso que os nossos semeadores de cizânia e de “revolução”, da força, de uma sociedade dúplice em relação aos contratos que cumpre ou não cumpre, deviam ponderar nas palavras que originaram o pequeno escândalo, habitual nas redes sociais, vindas de um jovem deputado comunista que ainda não aprendeu a “linguagem de madeira” dos comunistas actuais: “A corja que despreza a Constituição que se ponha a pau. É que se o meu direito à saúde, educação, pensão, trabalho, habitação, não vale nada, então também os seus direitos à propriedade privada, ao lucro, à integridade física e moral deixam de valer! E nós somos mais que eles”, escreve Pacheco Pereira no Público do passado dia 7 de setembro.

Pelo que se diz, e Pacheco Pereira atesta, muitos engravatados da suposta elite supostamente bem-pensante não gostaram e bramiram a sua indisposição fazendo uso do apoplético insulto perante uma ideia que os aporrinhou dada a vernácula mas decidida linguagem – aliás, historicamente abandonada ao povo – que permite à “arraia-miúda”, pela genuinidade que a caracteriza e sempre que o antagonismo exige, frustrar – pela transparência – as disputas de sentido que tanto recreiam, em proveito sempre próprio, a discursividade da nata social, dominante e exploradora. Como bem nos alerta Bourdieu, a luta pelos direitos (de classes ou de grupos) não se consome nos limites dos bens materiais mas adentra-se braviamente no mundo dos bens simbólicos.

É neste contexto, bem atual e descoroçoado, que Vitor Malheiros[1] acusa o “sonho” neoliberal pela persistência desapiedada – que nos traz tão inquietos quanto despertos – (da) desvalorização do trabalho, (d)as descidas dos salários, (d)os despedimentos, (d)o aumento de impostos e (d)o empobrecimento geral da sociedade [que] têm [no fundo e como indubitável objetivo] … reduzir os salários até ao ponto em que os trabalhadores se vejam reduzidos a uma quase escravidão. Ora quando o homem real – e não “um qualquer homem abstrato” – vive um verdadeiro problema de relação com a sua existência, num estado de progressiva injustiça e indignidade, é vital que ele se bata pelo seu lugar na sociedade. Juntamente com outros, e com toda a legitimidade, podem e devem sonhar com uma outra sociedade, renovando, porventura, a sua própria e triste história. Não me espanta pois que a canalha – supostamente elite, supostamente bem-educada e supostamente bem-pensante – perca o verniz e repudie histérica o jovem comunista que, pelos vistos, ainda não aprendeu a “linguagem de madeira”


[1] Artigo de opinião intitulado “A escravatura como forma de combater o desemprego?” (Público, 10set2013)

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terça-feira, 28 de maio de 2013

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A COADOÇÃO – UM EMBARAÇO QUE DISPENSA BANDEIRAS

imagem-gaysMarinho Pinto é reconhecido por quase todos – gostem ou não dele – como uma pessoa de uma exorbitância original que, a todo o momento, exibe uma inusitada personalidade, rica de atributos, que dele fazem, mais do que um incisivo e controverso opinante, um homem público incomum. Enérgico e determinado, de cáustico gracejo crítico por vezes, Marinho Pinto facilmente se torna admirável para os apreciadores e, com compreensível presteza, intolerável para os opositores. Agrada-me, confesso, a faceta politicamente incorreta com que irreverencia amiúde, com refinado saber e inteligência argumentativa, os múltiplos poderes instalados, sejam eles sagrados, institucionais, simplesmente mediáticos ou resultantes de duvidosas revoadas circunstanciais. Independentemente da minha pessoal concordância ou divergência relativamente às suas respeitáveis e fundamentadas posições, perfilo-me no grupo dos seus simpatizantes, tendo por apreço a constante e intrépida liberdade com que se manifesta.

Apesar desta declaração de empatia, vamos todavia ao que me traz. Marinho Pinto considera – e reitera-o com um arrebatamento obstinado – um desrespeito e sobretudo uma atormentação para as crianças, a possibilidade de os homossexuais poderem vir a coadotar os filhos adotivos ou biológicos da pessoa com quem estão casados ou com quem vivem em união de facto. A sua crítica essencial assenta no facto da concretização dessa eventualidade retirar às crianças o direito de poderem formar a sua identidade num quadro familiar biológico ou adotivo em que existam sólidos referentes masculinos e femininos, condições que, na sua opinião, se mostram indispensáveis ao desenvolvimento harmonioso da(s) sua(s) personalidade(s). Acrescenta, além disso, num lógico reforço da opinião atrás assumida, que ninguém tem o direito de adotar mas, pelo contrário, as crianças é que têm direito a uma família onde possam desenvolver harmoniosamente a sua personalidade[1]. Não sendo eu um homem nem da ciência, nem do direito, atrevo-me no entanto a manifestar desde já a minha divergência, designadamente ao ter presente o engenhoso sentido convocado por Marinho Pinto através de uma hábil enunciação argumentativa.

Principiando pela pretendida contenda dos direitos, importa acareá-los na sua substância e submetê-los ao clássico problema dos universais. Ordena a evidência que o direito dos adotantes não precede o direito da criança e prescreve o bom senso que tão pouco pode aquele, em momento algum, significar uma qualquer prerrogativa ao sabor de súbitas e infundadas vontades ou de vulgares aferros caprichosos. O direito de adotar consubstancia-se, como é óbvio, em valores de humanidade e de probidade e, nessa medida, o seu juízo exige a observância rigorosa daqueles, tendo em vista o exercício cabal de uma responsabilidade que se nutre na obrigação de facultar à criança uma família que ela não tem, de modo a proporcionar-lhe um desenvolvimento tão completo e integral quanto possível. O direito da criança a uma família garante-se assim no exigente exercício dessa responsabilidade, convertida num dever, que a todos compromete no total respeito pelas premissas atrás enunciadas. Nesta perspetiva, o direito de adotar não é, do meu ponto de vista, mais do que o assentimento socialmente legitimado para que, com liberdade, afeto e saber, alguém possa cumprir esse dever universal e imperativo de responsabilidade parental.

Se esta controvérsia sobre os direitos me parece de colocação entendível e provavelmente aceitável, a problemática da existência de sólidos referentes masculinos e femininos, na sua relação com a configuração familiar concreta, apresenta já dificuldades maiores, múltiplas e de natureza bem diversa, se levarmos em linha de conta o quadro determinado pelas atuais e intensas mudanças nos planos dos valores, dos comportamentos e das identidades. Se se atender tão só às modificações contemporâneas nas condições de procriação, nas mudanças das formas de filiação e de criação dos filhos, percebe-se que estas transformações – inscrevendo-se em outras mais estruturantes de natureza social, política e económica – têm naturalmente conduzido a reposicionamentos sociais e a redefinição de papéis com reflexos expressivos nas relações homem/mulher. O cenário social é cada vez mais diverso e compósito e a ordem dita tradicional sente-se seriamente ameaçada na vulnerabilidade dos seus costumes e na impermanência normativa da sua moral, designadamente na forma como se olha e vive hoje em dia a sexualidade, as suas relações e práticas.

Ora, estas mudanças carregam naturais consequências, geram itinerários distintos de subjectivação e desafiam aclimatações simbólicas certamente renovadas. Refira-se que alguns homens ajuizados da ciência médica e da psicanálise situam neste quadro crítico aquilo a que chamam de “crise da masculinidade”, entendida aqui como enfraquecimento do poder paterno, e acolhida enquanto reflexo de uma crise mais profunda, a crise da atribuição fálica como organizador social. Não ousando invadir matérias para as quais não estou nada preparado, julgo no entanto não ser imprudente sugestionar que estas pressupostas ocorrências nos lançam e convocam para o mundo evolutivo do simbólico, da sua linguagem e e das suas representações. A imutabilidade de uma qualquer ordem simbólica subentenderia, no plano lógico, uma forma exclusiva e ideada de subjetivação com o poder de decidir sobre o normal e o patológico. Nesta linha de pensamento, ao tomarmos a família tradicional como referência única de normalidade, um qualquer outro modo de filiação introduziria então transtornos aos adotados que a realidade já estudada no domínio da homopaternidade vai (com clareza) desdizendo. E, parafraseando Ceccarelli, eu lembraria a Marinho Pinto que as famílias são sempre construídas, os filhos sempre adotivos e que desgraçadamente as prisões (de capturas diferentes) estão apinhadas de filhos criados por casais heterossexuais.

 


[1] http://www.dnoticias.pt/actualidade/pais/387054-marinho-pinto-diz-que-co-adopcao-desrespeita-e-maltrata-as-criancas

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sábado, 18 de maio de 2013

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A CANALHA PRECISA DE UM OUTRO DEUS, DE UMA NOVA PÁTRIA E DE UMA DIFERENTE AUTORIDADE

VitorGasparwebEsta figura traz-me à memória um outro que, na década de 30 do século passado, domesticou contabilisticamente as contas públicas domesticando - para tal - o país através de uma política despótica e ditatorial. Nos tempos que correm, esta imitação conhecida porque “não foi eleita coisíssima nenhuma” serve-se de uma outra (mas equivalente) tirania, a tirania do jugo do mando financeiro. Agora não para domesticar a gentalha segundo o anacrónico esquema Deus, Pátria e Autoridade mas para submeter a canalha ao fundamentalismo dos mercados (o seu deus), fazê-la subsumir na apatridia neoliberal (a sua pátria) e educá-la na obediência da austeridade (a sua autoridade). O providencialismo dos novos tempos já não é divino. Os deuses são hoje realmente diferentes mas os seus tenebrosos figurantes … nem por isso.

 

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quinta-feira, 16 de maio de 2013

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O PROVIDENCIALISMO CAVAQUISTA

cavaco-silva-roteiros-7Ficamos a saber, por lampejo presidencial, que o Governo português levou a palma à troica por inspiração de nossa Senhora de Fátima, trazendo Cavaco desta vez à colação, com a sua costumeira ligeireza, a sapata providencial da sua crença no litúrgico dia do 13 de maio. Mais do que a insinuação teológica, interessa significar a presteza pública da manifestação da sua íntima convicção. Cá por mim, presumo que a fonte, não da sublime alusão à senhora ou à cerimónia mas da afoiteza que ela porta, deriva de uma sórdida linha de continuidade histórico-cultural com raízes na segunda metade do século XVIII. Fazer deslizar no presente, aqui e agora, a palavra política para o domínio do religioso só é entendível por ignorância ou idiotice do falante ou, mais inquietante ainda, como expressão de uma mente arcaica entranhada na passadista forma mentis do clerical fervor autoritário e persecutório de então.

No tempo atual, pese embora o pregão capitalista da ideologia do progresso e da riqueza, sobram-nos em demasia fenómenos de profunda exclusão aos quais acrescem e se generalizam iníquas precariedades e clamorosas vulnerabilidades. O providencialismo tosco de Cavaco, ao furtar-se agilmente da natureza política dos fenómenos, através da manobra religiosa, apela (de um modo acobertado) à pequenez da face negativa da tolerância e da conformação. Oportuniza, quiçá, o individualismo atraindo o encolhimento da desventura às rotinas dos seus quotidianos de miséria e desespero, libertando-a da obrigação à itinerância da solidariedade que forja a consciência social e partilhada dos seus verdadeiros problemas e desafios. A pobreza, o desemprego e outras formas de exclusão não são da responsabilidade dos pobres, dos desempregados e dos excluídos. Como todos compreendemos, dependem da forma como organizamos as sociedades e as pomos a funcionar. Cavaco sabe bem disso e melhor percebe que o poder de tolerar não é ad eternum uma prerrogativa dos poderosos. Escorado na forja coletiva do humanismo social, o exercício da solidariedade aponta-nos os limites da tolerância e esclarece-nos os seus fundamentos. Todos os dias, mesmo que esse dia seja o 13 de maio e, por que não, o 25 de abril.

 

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sábado, 13 de abril de 2013

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A BATOTA DO REMOQUE

jose-manuel-fernandes-putaComeço por declarar a minha irrefreável embirração por José Manuel Fernandes (JMF). Ao vê-lo, enxergo nele azucrinantes arrebiques que me enfadam. Ao ouvi-lo, a sua constante e insolente parcialidade desorganiza-me a liberdade de escutar. Quando argumenta, o uso e abuso das suas analogias, cotejos e enganosas reduções abespinham-me. Em suma, JMF busca – deste jeito – atrair convenientes mas despudoradas atenções para os seus intraduzíveis intentos e não menos obscuros desígnios. Sobretudo, com um desvelo próprio de um inveterado e vicioso batoteiro da opinião publicada...

JMF, no seu recente artigo[i] de 12 de Abril no jornal Público, em lugar de relevo, afiança em subtítulo: “Para o TC, é inconstitucional cortar na despesa com salários, mas é constitucional subir impostos até ao nível do confiscatório”. A perfídia da afirmativa é refinada e, sobretudo, esclarecedora do demérito moral e intelectual do jornalista. Sugere um quimérico livre-arbítrio dos juízes, ludibria sem vergonha sobre desfechos por si ideados[ii] e com a suspeita da endrómina não colar, entranha-se no fantasmal do confisco. Face ao Acórdão, pior que a patética odiosidade conservantista de JMF apenas a pequenez política e institucional do indouto Passos Primeiro-ministro. Aliás, não será por coincidência que aquele considere que este tenha feito, sobre a matéria, “… o seu melhor discurso desde que tomou posse”.

Desajeitado no proselitismo que o distingue, truanesco, JMF incrimina inabilmente o TC pelas dificuldades que, aos olhos dos credores, o Estado português terá em reduzir as suas despesas. Em passos largos e sem sossego, entrevê pois iminente o acréscimo lógico das “nossas” dívidas a caminho do desditoso precipício do incumprimento e da bancarrota. Como somos uma cambada de imbecis, tal como os juízes do TC, o JMF generosamente nos traz, para que possamos melhor assimilar, a grotesca cena da mercearia que nos vai fiando até ao limite do descrédito fatal. Servindo-se assim do prestígio pedagógico de um raciocínio simples e exato, o jornalista JMF embrulha a complexidade das políticas e dos mercados, dos interesses e das distorções, quando não das grossas mentiras, no rebuscado e atrativo celofane da transparência generosa do que é obviamente simples. Ou, mais perfeitamente, do que é afinal demasiado evidente; as simples e exauridas contas de mercearia. Simplesmente genial este José Manuel Fernandes.

 

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[i] “O que é que Margaret Thatcher faria no lugar de Passos Coelho?”

[ii] O Acórdão do Tribunal Constitucional em lado nenhum preconiza a subida de impostos.

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domingo, 10 de março de 2013

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FALAS BEM MAS NÃO ME ENFEITIÇAS

coutinhoAdmito a minha incomplacência mas João Pereira Coutinho causa-me enfado ideológico e, por epidérmica irritação, põe-me em constante pele de galinha. Porém, como não há lugar público onde não se esbarre, logo de manhã, com o afamado jornaleco correio-das-desgraças, acabo por tomar o meu café matinal na companhia do maldizente que aparenta ser menino bem, talvez queque ou simplesmente um betinho petulante de aspeto indomesticável. Lembrando-me do texto “Fidalgos, Queques e Betinhos” de Miguel Esteves Cardoso, a insolência do colunista faz-me ver nele uma espécie de betinho douto que tudo faz para ocultar a sua proximidade genealógica ao vulgacho, tratando mal aqueles que considera inferiores (demasiado mal) e bem aqueles que considera superiores (demasiado bem). Provavelmente estou errado mas, com toda a franqueza, em tempo algum me darei à canseira de o colocar na gaveta certa. Mais do que me certificar da circunstância da descendência ou do seu meritório percurso interessa-me, aqui e agora, reagir à sua frenética sobranceria.

Decidiu Coutinho escrevinhar, insurgindo-se, sobre o pornográfico cortejo de elogios ao caudilho a quem mima de Santo Chavez. O que ele acha sobre o Santo - as esmolas ao indigenato, a sua indocilidade bolivariana e o seu autoritarismo desqualificante – é o contrário do que muitos outros pensam de Chavez. Assim, onde Coutinho enxerga um santo malfeitor, outros reconhecem um virtuoso revolucionário. No entanto, o que me parece singularmente estrábico é o seu sábio desfecho. O santo malfeitor, afinal, constitui o típico exemplo de alguém que usa a democracia para subverter a democracia e que, por essa razão, convém não transformar em santo quem de santo tinha nada. Para quem não sabe, Coutinho habita um paraíso imune às pervertidas traficâncias do capital financeiro. Resfolga numa edénica democracia inabordável às devassas negociatas de ganhos a qualquer preço. Feliz, estima os seus governantes que prezam o prometido e enobrecem a democracia. No fundo, Coutinho vive remansado num lugar aprazível onde os recursos públicos não resgatam bancos, os responsáveis pelo colapso estão presos e o jogo sujo das hipotecas e dos incumprimentos é fortemente reprimido. O Coutinho é um menino afortunado. Goza de uma excelsa e sublime democracia. ORA VEJAM...

 

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Vídeo sugerido por CORRENTES


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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

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O ROSTO E A ALMA DO MONSTRO

wallpapers_monstros_e_demoniosEm jeito de acusação, acrimina-se o povo de ter gasto acima das suas posses como se a urdida overdose tenha brotado de um chão por cultivar. Trasvestidas a propósito, as sedutoras sereias da lavra e das melodias do bem-estar de outrora tornaram-se, na recentidade da agrura dos tempos, no seu avesso de íntegros “togados” das justas increpações. O uso hábil da contradição, costumeira nos reviralhistas, tem por serviço incutir nos outros responsabilidades que são muito suas e, se azo lhes derem, impô-las a esses outros por inteiro. Nesta melopeia moralista dos desmandos, e no que toca às presas aqui em conta, procura-se na subtil grosseria do gesto, dificultar que os sofridos se abriguem nas insólitas e execráveis “pieguices” e que, perante uma desconcentração improvável e a força obstinada de tamanha toleima, possam os niquentos comprometer o hino mavioso modulado naquelas duas vozes em denúncia à farra abjeta da misteriosa camorra.

Pois é… Cúmplice da insaciedade custe-o-que-custar do lucro desmedido, o engenho da fartura e das mais-valias fabulou interesses, engodou vontades, afeiçoou desejos inopinados, trapaceou consumos e, sobretudo, inventou conluiado o crédito atraente do-compra-agora-e-paga-depois. Novas racionabilidades assim se foram aflorando e, escorados neste habilidoso jeito, os prazeres prosperaram e sucederam-se no imediatismo turbilhonante de deleites necessariamente fugidiços. Encontrada a fórmula exata de espartilhar a lucidez dos sentidos, o circo do capitalismo consumista cultivou o seu chão, mercadejou tráficos, fez e desfez fronteiras e, com sagacidades e compadrices bem afinadas, foi encostando (sem rebuço) o Estado às cordas.

Deste estilizado desabafo, mais ideia e convicção do que entendimento entranhado no saber vivo dos peritos e das disciplinas da ordem, ressalta para mim a revigorante impostura da premissa política dos gastos desmedidos no proveito da sua útil e suscitada correlação com o pressuposto oportunista de estimular vantajosas más-consciências, de preferência subtraindo o indivíduo ao social coletivo. Deste fundo falseado (e nele radicado) despontam as razões traiçoeiras das práticas interesseiras (discursivas e políticas) de Passos&Companhia quando este(s), desfrutando da crise e do seu progénito “memorando”, apouca(m) o Estado nos seus méritos tendo em mente o rumo certo do oráculo neoliberal. A correção deseja-se assim radical e, neste vicioso e solto apetite, a regressão dos direitos sociais converte-se em desígnio nacional. Mas o rosto do projecto neoliberal revela-se de forma eloquente na sua incapacidade de assegurar um destino colectivo de segurança económica e justiça social [1]. Anuindo, vou no entanto mais longe; para mim, no monstro, pior do que o seu rosto repugnante, é a sua alma genuinamente endemoninhada.


[1] “Um modelo de insegurança social”, de Maria Clara Murteira, no LE MONDE DIPLOMATIQUE (Dezembro de 2012).

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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

FEITIÇOS E MATREIRICES

6895061_4CuBUCom as marcas do tempo, reais ou imaginadas, o corpo demuda o espírito e, como tal, mais do que era costume, nem sempre acordo com aquela habitual boa disposição. No entanto, pior fico quando as ineptas moralidades, acuradas ou angelicais, sempre prontas e disponíveis a tudo deslindar, logo por essas manhãs mal-avindas, tecem ficções e alteiam palpites na ânsia de acalmar quem os espera impacientes. Ávidos e nervosos, esta gente inquieta, convertida em obedientes rebanhos – mediáticos, religiosos, políticos ou outros – escuta esperançosa, da voz atrevida de funcionários de verdades, ilusórias escapatórias que momentaneamente aquietam, não obstante o certo da sabida permanência da incerteza.

Neste ruído de fundo, reiterável e impercetível, tão enfadoso quanto vulgar, ouvem-se com adulação os clamores dos ascetas de todas as espécies, os verberativos teóricos do idiotismo, os ditames dos burocratas da política e, deste jeito feito bizarro acatamento, os taciturnos inermes das ditas tutorias creem alucinados nos seus servidores de dogmas carecentes. Pergunto-me, perante tão triste e debilitante décor, se será um defeito de fabrico dos humanos a vulnerabilidade que os conforma e os fazem prezar os amansadores que a todo o tempo contentam o insistente e irredutível enfado vivido na brumaceira das imperfeitas existências.

António Damásio, em “AO ENCONTRO DE ESPINOSA”, ao falar do poder dos afetos e da única possibilidade de triunfar sobre um afeto negativo, lembra o eminente filósofo quando este afirma que, para que tal aconteça, importa criar, pela razão fundada no raciocínio e no esforço intelectual, um afeto positivo ainda mais forte. É destarte que, neste contexto e linha de pensamento, Damásio recorda Espinosa citando-o: “Um afeto não pode ser controlado ou neutralizado exceto por um afeto contrário mais forte do que aquele que queremos controlar”.

No entanto, por kafkiano que seja, uma das mais infaustas patologias humanas é a extremosa deferência à ordem entediante do social convencionado. Pensa-se a vida com base em categorias que desencaminham a crítica e a sua pertinência, alienando-se daí as qualidades emancipatórias da realizabilidade (trans)formadora. Em resultado desta espécie de psicose, docilmente se enreda o indivíduo na sacralidade de uma realidade consertada na (e pela) prática hábil de infundados mas influentes poderes. Daqueles que todos reconhecem e refutam em voz alta mas (e sobretudo) de muitos outros obscuros mandos que abusivamente nos habitam mascarados, colonizando hábitos representacionais decisivos à ação e ao pensamento.

É certo que, quando genuinamente se crê cresce em nós a afeição pela crença. É próprio da condição humana. Porém, pelo consolo, partilha e reconhecimento, formam-se em torno dessa crença, naturais e inevitáveis pertenças. Umas mais abertas e permeáveis, outras mais cerradas e hierarquizadas. Umas cuidando da liberdade, outras desenvolvendo-a, outras ainda equivocando-a. Estando assim avisado destes feitiços e destas matreirices, defini para mim um princípio simples mas cautelar; correndo ousadias, deixei de me enamorar pelos poderes, designadamente abominando os que me apresentam verdades entufadas e me tomam por pateta. A dissonância cortês em nada me impacienta. Bem pelo contrário. Abespinho-me, isso sim, com a arrogância que impossibilita a crítica e renuncia ao exigente desafio do argumento. A falibilidade humana deste jeito a reclama e a reciprocidade a tal obriga. Falo da liberdade, à qual associo a razão fundada no raciocínio e no esforço intelectual de que Espinosa, com mérito, bem anuncia. Por respeito ao Outro, ao valor da Solidariedade e a mim próprio.

 

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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

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UMA ACHA PARA A “FOGUEIRA” DA ARGUMENTAÇÃO

 

imagesA economia desde sempre cortejou o político e o intentou desencaminhar. A finança, por sua vez mais ególatra, transmuda-se ela própria – nesta marcha desempachada – em pós-política. A dominação do dinheiro, vivendo de desigualdades e de injustiças, repudia colérico e sem pudor o protesto dos maltratados. Subliminarmente, adota e manobra deste jeito a ideia de violência como categoria ideológica. Naturalizando e neutralizando as iniquidades estrebucha arrebatado perante a insubordinação de quem as recusa. O capital financeiro (e não só) acultura e politiza diligentemente os valores de acordo com os granjeios possíveis. Artificioso, fantasia oportunas moralidades que acobertem a torpidade dos seus emudecidos propósitos.

Nesta linha neoliberal, diria que o PSD/CDS não só atraiçoou como abraçou o embuste eleitoral quando decidiu afrontar a dignidade do voto. Ao assegurar uma coisa e ao fazer uma outra totalmente adversa, a governação iludiu a ordem expectável violando a verdade do método que funda a democracia. Pergunto-me assim de que lado está o argumento atendível da legitimidade apregoada; do lado do governo (e dos que o carregam) ou do lado dos que protestam por se sentirem traídos e esbulhados? O monopólio da violência legítima do Estado (parafraseando Weber) convoca o aforismático “de que à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. O governo não o foi nem o parece , embora muito faça para o aparentar. Representando a improbidade com o caricato extra dos inocentes pines patrioteiros nas lapelas.

Neste lugar da política, da democracia, dos valores e das hierarquias, a legitimidade constitui-se na sua abstratividade formal (eleitoral) mas confirma-se na concretude coerente da sua ação política. Romper com esta ligação é dissociar o que está dependente e, em consequência, artificializar o regime tornando-o acidental. Eis o paradoxismo em que temos vindo perigosamente a cair. Separa-se o indivorciável e joga-se na hábil dissociação convocando o obscuro discurso económico e, com ele, instrumentalizam-se medos marcados pelas incertezas aí ideadas e prenunciadas. O protesto social generalizado, mesmo que não se goste, é uma resposta massiva à percecionada violência do outro feito governo. Assim sendo, neste lugar discursivo da política, da democracia, dos valores e das hierarquias, importa indagar então qual dos lados tem praticado mais e maior violência? E (sobretudo) onde estão afinal as raízes originárias da progressiva e atual conflitualidade que à violência pode levar? É que a civilidade do protesto também tem, como tudo na vida, limites …

Post-scriptum Neste contexto de crise – e num registo político-ideológico deliberadamente simplificado – direi que os ricos são aqueles que, em consciência, somam as suas rendas às custas do empobrecimento da generalidade. E já agora, para a burguesia anafada, não confundam a mesquinhez da inveja com o saudável sentimento de injustiça.

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terça-feira, 6 de novembro de 2012

A TALHE DE FOICE – A PROPÓSITO DA CLASSE MÉDIA

 

Nada É Impossível De Mudar

Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

(Bertolt Brecht)

mudar-de-vida-radicalmenteVive-se um tempo em que a cultura dos excessos, própria de uma sociedade consumista, se nega e enreda em dificuldades e privações. Novas ansiedades daí despontam na proporção das preocupações e dos sofrimentos que se afiliam em crescendo. O curso das mutações agrupa na sua íntima precipitação tudo o que agita e se movimenta; o que vale e desvale. Na natureza inversa destas ponderações a impudência invade as guardianias do exemplo e da autoridade. Do poder à política, atingindo outras idoneidades. Os receios e os medos provindos - sem peia - exaurem a energia do sentimento de liberdade. Numa ética assim naufragada, tudo parece autorizado. Em socorro, a justificação dolosa substitui a explicação necessária da ruína existencial.

A deserção inconsiderada no consumismo, no individualismo e no desbalizar de referências essenciais, daquelas que verdadeira e humanamente importam, sempre arredam o sentir doloroso dos vazios que (per)seguem os que se creem instalados. À medida que a crise (ou o que dela fazem) deixa o seu rasto, os mecanismos de defesa fazem-se anémicos e os artifícios de fuga inoperantes. Acorda-se angustiado perante uma realidade que compromete e, sobretudo, acabrunhado pela descoberta da insensatez de como se a viveu. Incapaz de estabelecer - com verdade - laços de reciprocidade e de solidariedade remanesce apenas a melancolia da desesperança e a amargura do desamparo. Lê-se Bertold Brecht (ou melhor, Martin Niemöller) e descobre-se finalmente A INDIFERENÇA que perturba.

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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

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DA GOVERNANÇA À PREMÊNCIA DA GOVERNAÇÃO - A REFUNDAÇÃO QUE URGE

 

Texto redigido no dia em que sabemos que a nossa governança, com o FMI e o BM, trabalha afincadamente na reestruturação do nosso estado social. Será?

vitor-gaspar-pedinte-fmiOs “partidos do arco da governabilidade” constitui uma daquelas expressões que me agasta pela sua diligente aceção antidemocrática. Não pela figuração em si mas pelo que ela intenciona quando adotada na mudez sarcástica das suas conveniências. Insinua-se com ironia azeda uma sentença performativa, estimando (a preceito) as democraticidades (e os democratas) que valem. Umas (e uns) merecem o reconhecimento de um valor feito de capacidade, de competência e de sentido de responsabilidade. Outras (e outros), por contraste, não aparentam exibir iguais virtudes. Com arteirice, amolda-se a jeito a democracia estreitando o seu vantajoso embasamento. Porém, os atuais mas inquietos tempos impõem e requerem mais para que os sobressaltos ocorram menos. Por isso, a refundação como expediente narrativo inspira-se no afeiçoamento da democracia (desta e de qualquer outra) aos desígnios da financeirização globalizada e da sua doutrina neoliberal.

Dizem historiadores críticos que os acasos da financeirização e da globalização vêm dos tempos remotos da época medieval. Se assim é, tudo leva a crer que nada de essencialmente novo ou de inesperado está a acontecer. A recentidade atual do prenunciado, que parece candidamente sugerir o inopinado, reside afinal na vitalidade do aprofundamento perverso do velho e histórico concubinato entre ambos. Celebrada e respaldada pela arrogância ideológica neoliberal, a afinidade torna-se no entanto mais íntima e a sua ação por de mais sórdida. Capitaneada pelo moderno capital financeiro e pela projeção de poder das grandes potências, vivemos hoje uma economia que se exaure na triste realidade de um “imperialismo assente no endividamento” (Michael Hobson). Ou seja, dito de um jeito mais cortante, se onaniza num revivalismo que nos arremete para os tempos originários do capitalismo selvagem e nos desvela, sem qualquer pudor, o âmago da sua própria essência.

O “arco da governabilidade” não é mais do que uma metáfora, quiçá uma ideia tropológica de feitorização desta civilização que se vem firmando nas desigualdades (nas velhas e nas novas) e nos múltiplos poderes que a sustentam e a instigam. A confluência dos rendimentos e das riquezas – em alguns – enseca e estrema a vida dos demais e incompatibiliza a democracia real, com o perigo de possíveis aventuras daí decorrentes. Deste modo, afrontar este estado de coisas e as políticas que o oportunizam é (também) batalhar pela democracia na busca intransigente dos bens que devam e possam ser comuns. Como ateu confesso - e no que ao bem comum diz respeito - serve-me o conceito ético formulado na encíclica Pacem in Terris pelo Papa João XXIII: "O bem comum consiste no conjunto de todas as condições de vida social que favoreçam o desenvolvimento integral da personalidade humana e sua sociedade." Assim, e acima de tudo, o que convém refundar é a metáfora que tão bem tem acomodado os nossos feitores desde o 25 de Abril, sem exceções. Por isso, importa refundar – isso sim – o arco, as suas políticas e os seus políticos. No sentido das alternativas imprescindíveis a uma vida social decente essencialmente digna, humana e solidária. No fundo, interessa saber se estamos ou não de acordo com a necessidade inadiável de refundar esta governança…

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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

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O MELHOR POVO DO MUNDO OU O DESAZO SONSO DO MINISTRO

 

Passos_Vitor - CópiaO melhor povo do mundo, de facto, aguenta o insustentável. Não só a pobreza, os escassos proventos, a míngua presente ou o horizonte iminente do irremissível desespero. Suporta - e isso é dor infinda - a combinada agiotagem na sua labuta diária sem outro resultado que o de dar serventia ao mando dos poderosos. Nesta cruciante narrativa, esmola-se um necessitado e serviçal trabalho onde a vida se desaprende na sua iniludível devassidão. Amarga-se prolongadamente, no recato da privança, as arengas farsantes forjadas na mesmidade sempre atualizada da perfídia política descabelada. Desses sicários poderes enclausurados na sua arrogância obstinada em durar, imperando.

Sem a robustez de uma expressão em comum partilhada, as palavras desamparadas do sofrimento, mesmo que zangadas, não concedem a essencial rijeza aos caboucos necessários mas provavelmente ainda inensaiados de outros possíveis coletivos. Não chega fazer diferente, importa escavar e laborar a qualidade da diferença. Interessa revolucionar (não para ser o melhor povo do mundo, mas) para ser apenas e tão-só gente responsável, dialogante e imaginativa. No essencial, gente que saiba fazer da humanidade de que é mensageira, um povo cultivador de uma outra destinação, um povo que saiba fundar um outro devir aonde a iniquidade incomode verdadeiramente e de modo consequente.

Não quero, por isso, fazer parte da ficção “vitoriana” dos melhores. Chega-me estar ao lado da vigilância crítica, do fundamento sério e do esclarecimento exato dos problemas. Na busca ativa de outros caminhos e percursos onde a emancipação autêntica, humana e social, não se deixe submeter ao jugo da inanidade. Nesta linha de pensamento político, o sentido de responsabilidade é claramente constitutivo e definidor, designadamente no que às competências de quem nos governa diz respeito. Assim sendo, reitero e acresço; o sonso do Ministro abusou de idiotice e a resposta unissonante e conveniente das divergências …vai (re)tardando.

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

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NÃO FOI A MANUELA QUE INSINUOU A SUSPENSÃO DA DEMOCRACIA? ELA AÍ ESTÁ … A SUSPENSÃO

 

Velha Manuela Ferreira leiteDesde 23 de agosto que me reparto (sobretudo) pelo trabalho que remanesce e pela leitura que desfadiga, tarefas no entanto aquietadas – reconheço – pela madraçaria que me cerca neste tempo de inaturável crise. Se o exercício do grito me tem seguido no protesto, o impulso para instruir e amanhar os argumentos que esclareçam a tristura que o acompanha é que não. Repisar o desmarcado que há muito foi censurado e evocar hoje as advertências em outra hora feitas é demasiado estopante (e provavelmente ocioso) tendo em conta a frágil e deliberada militância desta página que, por uma questão de método, sempre a fui alcunhando de GRITOEARGUMENTO.

Sou daqueles piegas que presumem que os valores participam e não se dissociam de todo o tipo de argumentação e, especificamente, que a sua qualidade intrínseca se reconhece com perspicuidade nas práticas que protegem as distintas e diferentes explanações. Se nos raciocínios de ordem científica estes se direcionam no sentido do valor da verdade, nas jurisdições do comportamento, da política e da filosofia, os valores testemunham e acompanham o esteio da argumentação e do seu desenvolvimento (embasando e favorecendo, intencional e racionalmente) opções aceitáveis a admitir por outros, aliás, como ordena a ética de um qualquer acordo que se pretenda legítimo. 

Neste necessário tabuleiro axiomático, interessa-me (talvez com alguma imprudência) confessar, por mera precaução intelectual e alguma disciplina lógica, que me esforço por traduzir os lugares-comuns na sua sedutora cosmética (formada na superfície dos nossos quotidianos), tendo consciência da sua contínua e desengonçada generalidade. Se assim for, como a experiência não se cansa de comigo insistir, os lugares-comuns tornam-se recursos fáceis, acessíveis e utilizáveis em toda e qualquer circunstância dada essa desventurada superfluidade que define a sua natureza. Emerge daqui, desta possível mas incómoda verdade, a sedativa banalidade que o tempo faz com que enseque um qualquer valor argumentativo precedente, favorecendo e proporcionando adesões práticas e mecanistas, quando não aquiescências intencionalmente maldosas.

Acrescentarei ainda, tenho para mim, que a razão maior para que tal aconteça é que os lugares-comuns relacionam-se bem com o que é vivenciado como habitual e que este sentimento feito reconhecimento (puro e humanamente muito próprio) tonifica-se mais ainda com o que importa sagazmente considerar-se de normal. Nestas naturais, engenhosas e distrativas circunstâncias, num impulso só se passa do que se faz ao que se deve fazer, ratificando a norma que robustece lamentavelmente o acostumado que lhe dá berço.

Ora, toda esta lengalenga vem a respeito dos valores da honradez e da responsabilidade que naturalmente acompanham os compromissos e as obrigações que se estabelecem e aos quais se está (como é natural) impelido moralmente a satisfazer. Aliás, o precavido Passos Coelho fez questão, embora acabrunhado e abaladiço pela sua consciência agitada, de o lembrar há dias. Mas, afinal, do que pretendo falar? Dos compromissos – daqueles que hoje não se podem ignorar – quer com a troica, quer com o povo português, realizados pelos ditos “partidos do arco governamental”. Há um compromisso que se estabelece com a CE, BCE e o FMI e um outro com a democracia com base num “show” eleitoral sancionado (quer se queira ou não) pelo voto. Em traços largos, largos embora irremediavelmente contundentes, a dificuldade está em enxergar como a dita consonância (com PS ou sem ele) vai orientar-se perante a impossibilidade prática de respeitar ambos os compromissos.

Caracterizando a dificuldade exposta, poder-se-á dizer que à contradição dever-se-á acrescentar a incompatibilidade. Quanto à contradição, ela torna-se evidente; ninguém se pode comprometer com uma determinada proposição e, ao mesmo tempo, aventurar-se com uma outra que a negue. Todavia, se a contradição – e o termo é decididamente simpático – lesa a credibilidade de um qualquer exercício da política que nela assenta e que, sobretudo, enfraquece o valor e a autoridade da democracia representativa, a incompatibilidade só é possível dissimular suspendendo, por vontade de alguém, uma das suas proposições. Neste particular, e ao que se vê, cumpre-se (assim) o que a Manuela Ferreira Leite sugeriu faz tempo; suspenda-se a democracia e falseie-se a representação. Ora aí está, na intimidade da hipocrisia, é o que temos. Por isso, a democracia saltou para a rua e aí vai recuperando a vitalidade que o institucional (em absoluto) tem vindo a perder. E é em tempos como este, que se capta melhor a importância política e social, porventura decisiva, da democracia participativa e comunicativa que a representação e as suas instituições, com cínica negligência, desconceituam. Para mim, a rua já me é familiar. Não estranharei …

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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

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OS DEUSES JÁ SE FORAM

 

auguste-rodin-iris-e28093-mensageira-dos-deuses-1895Nos momentos em que sentimos a necessidade de alcançar o passado predispomo-nos natural e candidamente à cultura misteriosa do sensível. A descoberta de impressões, que se protegem atrás das memórias desencarnadas pela persistência das narrativas repisadas, funda uma singular devassa ao mundo dos segredos guardados que silenciosamente em nós repousam. Revolver o íntimo sem receio do que se resguarda nas profundezas dos nossos corações é recriar um melancólico regresso ao tempo em que os nossos pais eram deuses e as suas verdades nos davam em absoluto um sentido protegido do mundo.

Era o tempo que pouco se desvendava em dissentimento ao muito que se amestrava graças às certezas altivas dos pais e dos avós, bem escoltados pela férula temerosa dos professores e pelas reprimendas celestiais dos padres e dos seus indiferenciados mas indefetíveis embaixadores. Família, Escola e Igreja conluiavam e acertavam através de uma moral comum uma invenção severa do Bem e do Mal. Deste modo, na intimidade desta ordem estabelecida, a singularidade possível diferia-se para mais tarde, para um outro tempo de maturação e de fúria que em harmonia educavam o orgulho e a liberdade da sua rebeldia.

Inevitavelmente crescemos, por vezes revoltos sem saber bem com quem e por quê. Apenas nos fomos (e vamos) apercebendo que os pais parecem cada vez mais pequenos até se tornarem iguais a tantos outros pais. Os professores tornaram-se (ou tornam-se aos nossos olhos e à medida que o tempo passa) simples e dóceis pessoas e os padres – esses - figuras vulgares ou até protagonistas injustificados. Começou (ou começa então) a viagem das aventuras e das peripécias que fizeram (ou fazem) a experiência incomum e indefinida da nossa liberdade e responsabilidade. Voltando muito atrás ou mesmo recomeçando quase de novo, perto do nada e, seguramente, na companhia da nossa forçosa mas vital solidão.

Os argumentos frios e precisos da razão disputaram (ou disputam) assim com as imagens e as emoções a construção de nós mesmos no manente juízo do apreço em que nos tínhamos (ou temos). O tempo mudou e não pára de mudar e com ele todos nós vamos mudando. De lugares, do sentido que atribuímos a esses lugares e, sobretudo, das emoções que acompanham esses movimentos de mudança. Entregues a nós próprios e à nossa liberdade sentimo-nos sempre na necessidade de encontrar uma ciência particular para moderar as emoções libertadoras que nos incitam a ser nesses cursos de transformação. No entanto, sem pressas de identificações favoráveis a subordinações acomodadas de superfície. A reinvenção de nós próprios, seja ela qual for, não dispensa uma bússola feita de uma engenharia capaz de congraçar as lógicas da reflexão e da identidade. No essencial, tendo por projeto de assim podermos humanamente evitar delegar nos outros o completo encargo de esclarecer a nossa própria existência.

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domingo, 22 de julho de 2012

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O DIABO DO BISPO EM FIGURA DE GENTE CAUSOU FERNICOQUES

 

PachecoEstou aposentado, e para quem ainda não deu por isso, carrego comigo a atendível responsabilidade de uma estimável superioridade. Quando fico capaz, depois de ter estado achacado, já não pergunto ao médico se posso no dia seguinte ir trabalhar. Apenas cuido de vivificar a vida dando largas à minha boa ou má disposição com as asas da liberdade recuperada. Não escapo à presa do achaque para impreterivelmente me enfiar num diferente padecimento a que se chama trabalho, suportando gente enfermiça que está porventura convencida do contrário. E como estou felizmente bem de saúde, cá vai…

Ora, o presente quadro de graça associado a este desimpedimento para a liberdade suscita, para quem dela saboreia, como é o caso, naturais e sadias insolências que convém habilmente abalançar para cativar a estima que interessa e arredar a desinteligência que agasta. Num livro há tempos lido, o autor citava um poeta romeno do século 19 que, não assegurando exatamente isto, me estimulou a testificar que as pessoas que prezam a vida em liberdade cometem mais loucuras do que as pessoas que se regem pelo impulso da razão conformada e cinzenta, alertando (no entanto e de imediato) que as insânias destes últimos, soturnos e fastidiosos moralistas, são sempre bem mais graves, peçonhentas e perigosas.

Em consonância com o poeta, tenho para mim que a prática difusa do politicamente correto se abastece sobremaneira no lado pardacento das razões convenientes. Por isso, este correto político autoriza ardilosamente que se diga não, embora nos limites óbvios e espremidos da elegância flutuante e acertada do profícuo peso-conta-e-medida. O que provavelmente muita boa gente não se apercebe ou não capta é que esta louvada cortesia proíbe que se diga não ao que ela patrocina não ter escolha. Ora, os prezadores da vida em liberdade, os tais dos atrevimentos e dos excessos, numa insistente e saudável experiência de impedir o sequestro da sua subjetividade, transformam o ser do não interditado por um outro ser do não; o não do resgate, porventura da transgressão e repetidamente da inconveniência.

Note-se todavia que a interdição folga, mais do que se presume, no cálculo de uma antecipada razão que, na intimidade da sua vontade bravia, enjeita sensibilidades e abomina emoções, sobretudo se as pressagia intrínseca e genuinamente humanas. É no silêncio deste deslizar melodioso da interdição para o arbítrio da incriminação que a panóplia dos poderes e das suas grotescas figuras tratam de aclarar os marcadores da apetecível ordem discursiva e definem os seus limites. E é igualmente na prolongação desse comedimento, aparentemente inócuo, que a forma e a substância do que se diz passam pelo crivo do mimetismo impercetível das relevâncias. A forma e a substância perdem o pé à sua verdade (e ao seu sentido) e passam (deste modo) a valer pelas consequências do que é conveniente. O Padre Manuel Morujão, da Conferência Episcopal, tem toda a razão; o que importa é que se fale verdade. E o Bispo Januário Torgal Ferreira vozeou a “nossa” verdade, apesar dos desagradáveis fernicoques causados ao ufano Aguiar e à pedante Avilez, entre outros solícitos papagaios. Bem haja, senhor Bispo.

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