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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

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E SE ENTUPÍSSEMOS A “VÁLVULA”?

 

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Os números falam por si... Não é assim, com esta frieza, que os tecnocratas desta democracia apodrecida representam as realidades que lhes interessam? A luta ideológica, hoje, passa por avivar nas pessoas as suas frustrações e fazer-lhes reviver os recalcamentos sucessivos a que têm estado submetidos por um poder económico obscenamente difuso. O protesto instituído tem cumprido com a sua função de conter a energia da revolta. Por isso, importa libertar essa energia abrindo outras e novas possibilidades de ação capazes de gerar verdadeiras e adequadas mudanças. Ajudemos a reinventar novos mecanismos de regulação social. Pela força, se necessário ...

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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

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UMA MERA CENA PORNOGRÁFICA

 

395849_350158111679403_100000556514411_1273140_911026942_aImporta alvitrar que a pornografia não se circunscreve ao universo da imprecação aos males atribuídos à sexualidade. O que marca a pornografia é a relação desigual entre poderes e dignidades que conflituam. Quando alguém não existe ou apenas existe para cumprir um papel de objeto de satisfação de pulsões agressivas de um outro, estamos provavelmente na presença de uma realidade (ou cena) pornográfica.

Quantas vezes nos perturbam, e nos fazem sentir profundamente incomodados, com o comércio abjeto do sofrimento dos outros e das suas desgraças e com outras tantas situações aparentemente banalizadas por um quotidiano denso de indignidades silenciosas e, sobretudo, silenciadas?

A tirada infeliz de Cavaco Silva é reveladora de um destes silêncios que se quebrou e se quebrou de modo infausto fazendo ele um uso pornográfico da sua situação pessoal num quadro de crise no qual ele não encaixa. Cavaco Silva, ele próprio, se desrespeitou. Embora lamente, confesso que não fiquei absolutamente nada surpreendido.

ANÍBAL retirado DAQUI

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A CARREIRA DO MEDINA

 

407046_350233938338487_100000556514411_1273518_1579138463_aUma declaração, não de interesses, mas de intuição; não gosto deste senhor CARREIRA. Olho para ele, e aquele seu permanente e irritante ruminar, de imediato, me leva à perceção que em mim esboça a ideia de uma misteriosa e enigmática insatisfação pulsional que o seu narcisismo primário, apressado e desenvolvido, imperiosamente o empurra para uma arregimentação muito singular de recursos de modo a evitar a sua suposta (embora visível e desconfortável) castração política.

Serei naturalmente precipitado mas, nesse homem mediático (que pode ou não coincidir com ele próprio), apenas consigo estar atento ao desafio, para ele muito particular e doloroso, de uma economia psíquica necessária à procura e à gestão de sucedâneos argumentativos que lhe alimentem a ilusão da ausência de um perdido paraíso que o seu narcisismo envernizado mas envenenado não aguenta. A sua sobranceria apenas me consegue conduzir aos polímeros sintéticos cotiados na produção contemporânea de artefactos de silicone comunicativa …

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

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A TITUBEAÇÃO DO MÁRIO ENXOVALHADA PELA FIRMEZA DA CONVICÇÃO E DA SOLIDARIEDADE

 

ng1181695_435x190Discute-se hoje muito, neste tempo de pós-modernidade, a "qualidade de vida". Aplaudo e proponho, tanto quanto sou capaz, esse debate e acho por bem que ele prossiga sem menosprezar uma outra controvérsia; a “qualidade da sociedade e da democracia”, realidades onde aquela não deixa de se enraizar. Sublinho, no entanto, que não há qualidade de vida que possa suportar a “intranquilidade das consciências”. Refiro, como é óbvio, às difíceis consciências éticas e não a outras que se prestam ao egoísmo das vantagens imediatas encobertadas, no plano retórico e doutrinário, por caridades e generosidades duvidosas.

Não faço alusão,  como se depreende, às ações genuínas, convictas e desinteressadas de gente boa, em si coerentes, admiráveis e respeitáveis. No entanto, esta destrinça, leva-me a pronunciar a traço grosso que jamais os situacionistas do oportunismo me persuadirão dos seus tartufos gestos. É no contexto desta declaração que afirmo o meu orgulho de ter trabalhado e convivido com este homem sério, trabalhador e modesto cuja combatividade e solidariedade das suas firmezas valorativas, humanas e sociais, se enraízam nessas qualidades e que se dá pelo nome de ARMÉNIO CARLOS. Importa acrescentar que não sou, hoje, militante do PCP. Por isso, a nada me sentiria obrigado pela militância se os VALORES assim não o exigissem ...

VER E OUVIR - http://sicnoticias.sapo.pt/1249686

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

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OS PÁROCOS, OS BISPOS E OS CARDEAIS DA NOSSA IGREJA MEDIÁTICA

 

addis-hands-cash-cartoon2Acabo de ler no “LE MONDE DIPLOMATIQUE” (12 de Janeiro de 2012 / versão portuguesa) um texto de Pierre Bourdieu intitulado “Como se fabricam os debates públicos”. Nele, Bourdieu começa por definir um homem oficial como um ventríloquo que fala, num contexto devidamente encenado, em nome do Estado, fala por todos e em lugar de todos como se fosse um representante do universal.

É neste quadro que ele convoca a noção de opinião pública, acrescentando que esta pode ser entendida como a opinião de toda a gente, da maioria ou dos que contam e são dignos de ter uma opinião. Conhecendo a nossa realidade, sobretudo mediática, facilmente concluímos que a opinião pública é, como ele diz, a opinião dos que são dignos de a ter como opinião esclarecida e merecedora de tal reconhecimento.

Sem qualquer pretensão de comentar a globalidade do texto de Bourdieu, sublinho apenas a ideia de que os opinantes obedecem a um processo de cooptação com base no que ele refere como índices mínimos de comportamento que são a arte de representar um determinado jogo e de respeitar as suas regras. Para esclarecer melhor a ideia, Bourdieu relembra a célebre frase de Chamfort que fala por si: “O pároco pode sorrir a uma frase contra a religião, o bispo rir abertamente dela, o cardeal acrescentar-lhe um dito seu”. Concluindo; o uso plástico das regras do jogo, inteligentemente aplicado pela “hierarquia das excelências”, não altera o jogo. Como remata Bourdieu, o humor anticlerical de um cardeal é supremamente clerical.

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sábado, 7 de janeiro de 2012

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Este ASCO, que se dá pelo nome de CAMxLO, não pode com o …. MÁRIO NOGUEIRA

 

O que diz o CAMxLO? Que Mário Nogueira tem 31 anos de carreira e que apenas onze deles passou-os a ensinar. O resto foi dedicado a esse extraordinário sindicato (ou será "think tank"?) da Educação que dá pelo nome de Fenprof. Claro que o ódio sindical desse TRAPACEIRO CEGO E SURDO não descobre mais ninguém, na política ou mesmo nesse antro de chulos que o perpetua e o protege, que há muito deveria ter dado o lugar a outros. Ele vomita a sua aversão inveterada e absoluta ao sindicalismo procurando desqualificar alguém que se apresenta a votos e é eleito por milhares de professores. Desta avaliação democrática ele não se interessa. Trata, então, o Secretário-Geral da FENPROF de dinossauro mas daí não tira as conclusões que devia com objectividade em matéria de avaliação da pessoa e do sindicalista. Atira-se, então, à lei que ele considera obsoleta, responsabilizando-a por promover o sindicalismo a um modo de vida. Mas os proxenetas que o têm por conta, esses podem vir de tempos jurássicos que são gente boa e os modos de existência que requerem são próprios e decorosos. Obviamente, onde o CAMxLO serve, a estupidez e o facciosismo constituem os critérios essencias de avaliação. Por isso, o CAMxLO é EXCELENTE.

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

domingo, 1 de janeiro de 2012

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AS REVISTAS COR DE ROSA NÃO ME ABRIGAM … FELIZMENTE!

 

A alucinação ideológica neoliberal da nossa governação parece claramente que está a demolir este pobre País. A sua política de austeridade, de sentido único, assente na teimosia cegueta, tem como propósito abonar o pagamento da “nossa dívida” aos grupos financeiros, nossos magnânimos credores. Se a consequência é, como está a acontecer, a destruição da economia e da sociedade, esta não constitui, neste tempo atual, uma preocupação política de raiz humana e social, quer dos nossos governantes, quer dessa gente sempre pronta ao exercício da generosidade.

A redução real do défice em 2011, é bom lembrar, não foi conseguida. Revela-se 5,9% do PIB mas o exato e pungente número é 7,5%. O truque, mais um ardil entre outros, alcança-se através da sonegação de uma parte dos ativos dos fundos de pensões dos bancários. Mas em 2012, o défice deverá reduzir para 4,5%, não sei se de 5,9 ou de 7,5. O que importa é perceber, na impossibilidade do uso de renovadas artimanhas aritméticas, o que vai acontecer à generalidade dos portugueses.

Consultando o memorando, permanentemente revisto nos gabinetes entre os que efetivamente ordenam e os capatazes que imaginam governar, podemos apontar alguns outros números desse tortuoso e dramático calvário. Uma redução de 3000 milhões de euros nos salários do sector público, 1260 milhões nas despesas com pensões, 100 milhões nas despesas públicas com a saúde, 380 milhões nas despesas com a educação, 200 milhões no investimento público, 100 milhões nas prestações sociais e 175 nas transferências para as autarquias, entre outros.

Por tudo isto e por outras (im)previsibilidades menos agradáveis mas sempre possíveis, desejo-vos um ano de 2012, onde aconteça a solidariedade necessária construída na resistência do protesto ativo cada vez mais essencial e urgente.

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sábado, 31 de dezembro de 2011

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NÃO AO MEDO E À RESIGNAÇÃO

 

CARVALHO DA SILVA, QUER SE CONCORDE OU NÃO COM AS SUAS POSIÇÕES SINDICAIS, REPRESENTA OS TRABALHADORES.

DELES RECEBE ESSA LEGITIMIDADE, PONTO FINAL.

OUTROS, QUE DELE NÃO GOSTAM E MUITO MENOS GOSTAM DE SINDICATOS, REPRESENTAM NECESSARIAMENTE COISA DIFERENTE.

O QUE ESTES DIZEM PODE VALER PARA TUDO ... MENOS PARA DEFENDER OS TRABALHADORES E O TRABALHO.

ESTOU ENFASTIADO COM OS "MELGAS" SUPOSTAMENTE INTELIGENTES!

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

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A TECNOCRACIA ESTÁ NO PODER MAS ESQUECEU-SE DE IR A VOTOS

 

Albert Speer, um ministro do Armamento e Munições de feição tecnocrata do Terceiro Reich, sem papas na língua, terá confessado que a ditadura de Hitler foi a primeira que soube utilizar, para dominar o seu próprio povo, todos os meios técnicos ao seu dispor. Acrescentou que esses meios tornaram possível submeter os cidadãos a uma vigilância muito ramificada e, ao mesmo tempo, manter em segredo os procedimentos criminosos.

Reconhecer a importância da informação parece-me óbvia. Identificar o alcance e as consequências do seu controlo já se me afigura menos claro e ainda mais inevidente quanto maior se torna a complexidade dos diversos aparelhos técnicos ao dispor dos múltiplos poderes que nos enclausuram.

O problema torna-se sério, ou mesmo dramático politicamente, quando os gestores, associados aos poderes que escapam ao controlo dos cidadãos, se instituem em polos difusos de decisão a quem não se pode pedir responsabilidades dada a sua natureza anónima. Os interesses particulares poderosos tomam assim de assalto a tecnologia, como dimensão estratégica, de modo a assegurar as condições de exercício pleno do sistema económico e político.

A democracia virou hoje totalitarismo, como podemos confirmar pelas razões justificativas das medidas sociais, políticas e económicas tomadas pela nossa governação. O problema, para mim, não está propriamente em pagar o que se deve. Está claramente nas condições colocadas para que o empréstimo seja concedido. E é nestas condições impostas que o totalitarismo capitalista e financeiro se afirma e com ele a supremacia evidente, embora anónima, dos gestores.

A classe dominante, neste contexto obscurecido, vai vivendo sem sobressaltos e dormindo serena e descansadamente. Até quando, pergunto eu. Se os pobres alcançarem (ou alcançassem) a consciência que pouco ou nada têm a perder, o sono dos abutres dobrava, num ápice, em pesadelo. Então aí, os desfavorecidos poderiam, efetivamente, sonhar com uma existência, sobretudo, digna. A utopia, como referência, ilumina a razão e a força do inconformismo.

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

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OS NÚMEROS NÃO ALTERAM AS REALIDADES; ESTES, FALSIFICAM-NAS

 

O Governo oculta a pouca-vergonha do seu “rigor” com os favores intencionais ou desinformados da comunicação social. Duas perguntas se impõem. Como desfigura o Governo o rendimento familiar por pessoa de modo a exclui-los dos apoios sociais e, com essa ágil saloiice, que tanto persuade os formadores de opinião, poupar 200 milhões de euros? Como trabalhou o Governo, habilidosamente, o seu conceito de “rigor”? Muito simplesmente não procurando alterar as realidades sociais e económicas mas falsificando, através de uma nova mas “inconfessável” relação dividendo-divisor, a mesmidade. Imagine que o Paulo e a Beatriz têm dois filhos menores; o João e a Ana. Como se fazia antes do Governo aplicar o seu aplaudido “rigor”? Para obter o rendimento familiar dividia-se, ao tempo, por 4 (Paulo, Beatriz, João e Ana) para obter um rendimento “per capita”, valor este que resolvia o direito ou não da família a apoios sociais. O que fez este Governo? Passou a família do valor 4 para um outro bem menor, ou seja, 2,7 porque o Paulo ou a Beatriz (um deles) passa a valer apenas 0,7 e os filhos João e Ana somente a 0,5 cada. Ou seja, o truque é reduzir o agregado a 2,7 (1+0,7+0,5+0,5) em vez de o considerar 4 (1+1+1+1). Conclusão; dividir 1200€ por 4 dá 300€, dividir por 2,7 dá 445€. Assim sendo, o limiar da pobreza pode-se manter mas os pobres, em tempo de crise, facilmente passam, com esta finória aritmética, a remediados. Genial…

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sábado, 26 de novembro de 2011

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A FALSA ÉTICA DA SOLIDARIEDADE

 

TraicaoNa revista “VISÃO” desta semana (24 de novembro), José Gil escreve um artigo de opinião intitulado “A solidariedade”, desenvolvendo o tema atravessando três aspetos que delimitam, na perspetiva apresentada, o acolhimento que autor aplica, nestas circunstâncias, à análise da referida problemática.

Num primeiro momento, começa por discorrer como a coesão social se instaurou como o “substrato mais primitivo da própria humanidade do homem”, retrocedendo às sociedades exóticas e arcaicas enquanto “ realidade(s) que compreende(m) unidades em que o indivíduo se funde num grupo mais vasto … que determina(m) o … lugar (do indivíduo) e o seu sentimento vital de pertença a um conjunto que define a sua identidade”.

Deste tempo histórico salta para “o advento da propriedade privada, da definição jurídico-filosófica do cidadão isolado nas teorias do contrato social e do Estado”, chamando a atenção para a longa história do “individualismo” que, nos tempos de hoje, “permite que nas grandes cidades se morra solitariamente num apartamento sem que durante meses ou anos alguém dê por isso”.

De seguida, aproxima-se dos tempos difíceis que vivemos, das crises – nossa e não só – e das inúmeras iniciativas que múltiplas entidades adotam no sentido de ajudar os mais carenciados, entre elas algumas empresas e bancos. Resguarda a relevância destes gestos de atenção ao outro, no plano da sanidade social, lembrando que a solidariedade não pode, no entanto, significar “caridade humilhante ou afirmação de uma qualquer supremacia social”.

É neste contexto que José Gil sublinha que um número significativo dessas atividades de assistência “se exercem sob uma falsa ética de solidariedade (que) escondem negócios inconfessáveis …”, chamando a atenção para a “… boa consciência (assim supostamente) adquirida a baixo preço, álibis de uma ´economia social` que, afinal, não transforma minimamente a economia real geradora das desigualdades que a primeira procura reduzir”.

Por fim, questiona a solidariedade económica e social hoje desenvolvida por toda a Europa, afirmando que ela “só se legitima se se desviar da tendência hegemónica do capitalismo global, considerando o outro não como alguém diminuído mas como alguém com o pleno direito de acesso a todos os direitos, inclusive ao direito de ser ajudado”. Por mim, acrescento a importância de apensar à denúncia a coerência da ação que ela espicaça. Em nome de uma humanidade necessária mas hoje arrogantemente atraiçoada.

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sexta-feira, 1 de julho de 2011

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“POLITIQUÊS” EM DISCURSO DIRECTO

 

ALGUÉM CONSEGUE PERCEBER O QUE ESTÁ ESCRITO NO PROGRAMA DE GOVERNO E QUE EM BAIXO SE TRANSCREVE ? (pág. 119)

A ACRATO

“Apostar fortemente no ensino técnico e na formação profissional

- No ensino secundário, a grande aposta deve  incidir num sistema de formação dual que articule a formação teórica das escolas profissionais com a formação prática nas empresas;
- As empresas devem ser incentivadas a apoiar os perfis profissionais, devendo  também ser chamadas a ajudar a execução da formação prática, assim facilitando  a transição para o mercado de trabalho;
- O financiamento desta rede pode ser partilhado entre o Estado e as empresas.”

ACEITO EXPLICAÇÕES

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quarta-feira, 29 de junho de 2011

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A IDEOLOGIA DA NÃO-IDEOLOGIA

 

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A agenda dos nossos problemas oscila de forma descomedida de acordo com circunstâncias e interesses onde a intransparência constitui o entretenimento mais irritante para o cidadão comum. A exasperação agudiza-se quando esses problemas são apresentados com uma frequência inusitada encapotados por discursórios pragmáticos ou técnicos indecifráveis, por vezes acompanhados por obscuras retóricas políticas mas raramente são, o que não deixa de ser estranho, mostrados como obrigatoriamente doutrinários. A desordem anuncia-se nesta lógica obtusa, como convém, concordante com as variações que as ditas circunstâncias avisadamente aconselham a quem bem nos governa e pretende prolongar tal governança. Em certos momentos vocifera-se sublinhando a triste desordem política, noutras ocasiões brada-se denunciando o desarranjo financeiro mas, amiudadamente, faz-se emergir a indignação pelas desventuras económicas e descarrega-se a bílis à aversão brava e ingénita pelas “balbúrdias” sociais.

Neste tempo político actual, confesse-se que ainda bem curto, a mudança de caras na governança tem disso sido, pelo burlesco, paradigmático. A quietação envolvente que uma comunicação social neutra, amansada e optimista procura transmitir é, em si, um pretenso mas esclarecedor sinal de embaraços já galgados que o cidadão comum, estúpido, não sente nem pressente. O País sossegou, vejam só, por que o arrogante e convencido Sócrates foi de abalada para Paris prometendo, nos tempos próximos, regular o seu silêncio ocultando-se nas brenhas da filosofia. A economia, num átimo, recuperou ânimo e, com este ganho destapou perspectivas críveis que, com a ajuda esperançada dos e nos sindicatos, promete fazer da acalmia social uma certeza necessária já felizmente próxima.

Como se pode depreender, por exclusão de partes, o essencial da crise está, como coisa sobrante, na relação milagrosa dos dinheiros com a engenharia achada dos seus créditos, expressa na prestante ajuda solidária e competente da troika e com a anuência inequívoca de cerca de 47% do eleitorado português. Doravante, neste caridoso quadro, resta-nos metamorfosear os protestos sociais, dos mais vivos aos vulgarmente acanhados, em merecidas propostas de louvores ao Coelho, ao Barroso e, com mérito acrescido, à Merkel e ao simpático Sarkozy, não esquecendo o Paulinho democrata e, pelos vistos, cristão que não é exactamente, faça-se justiça, o Paulinho inveteratus beijador das feirantes.

E tudo isto, porquê? Porque os pobres são difíceis de contentar, os malandros calaceiros não têm emenda e os trabalhadores espreguiçam-se em demasia nos estofos da desqualificação e da incompetência, sugando o tesouro público para o qual apenas contribuem com a toxicidade e irresponsabilidade dos seus desvarios. Por isso, o coração do sistema não se pode entregar à esfera promíscua da produção onde aqueles vegetam mas, ao contrário, confiá-lo ao sentido ético e competente dos financiadores, garantes idóneos e incontornáveis de um ambiente económico socialmente promissor e saudável. Os madoffes são fantasias, as actividades criminosas dos offshores invenções e as dívidas de risco e especulativas na busca de dinheiro que não custa a fazer ou as engendradas pelas múltiplas donas brancas são meras induções sórdidas de gente ociosa que nada mais faz do que atrapalhar quem dá o corpinho pelo bem comum. Abaixo as ideologias. Viva a NÃO-IDEOLOGIA …

Imagem retirada do Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

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DO EU SOLITÁRIO AO NÓS SOLIDÁRIO

 

Frei Fernando

Acabo de ouvir uma estimulante entrevista de FREI FERNANDO VENTURA na SIC NOTÍCIAS, com o jornalista MÁRIO CRESPO. Diria que aprovo, no essencial, o que o Fransciscano da Ordem dos Capuchinhos exprimiu, embora como ateu prescinda, e aguardo que dessa desobrigação ninguém me leve a mal, as suas referências a Deus e à Fé.

As suas palavras foram por mim tomadas na sua dimensão filosófica, ética e, sobretudo, política no seu apelo à coragem de experimentar práticas de solidariedade (e de liberdade) face ao OUTRO no sentido de consertar a ESPERANÇA destruída pela decepção, desfeita pela ruína da credulidade e arrasada pelo depauperamento da ideia entusiasmante de progresso.

Regenerar esse histórico laço prometedor entre os defensores do progresso e da justiça social a favor do OUTRO e da SOLIDARIEDADE que a inscreve constitui, hoje mais do que nunca, uma urgência que não pode esperar. O FUTURO, pese embora a desconfiança instalada, não pode vacilar entre a esperança frouxa e o desespero que suspende a ação. A confiança impõe-se porque, só ela, pode animar a vontade de mudar e de (trans)formar.

 VER E OUVIR a entrevista; vale apena …

A designação do post é o título do seu último livro.

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OS PRINCÍPIOS CONTRAFEITOS DE UM BEM COMUM TRAÍDO

 

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Riccardo Petrella, que tive o prazer de conhecer pessoalmente, num pequeno livro que tem mais de uma década, “O Bem Comum – Elogio da Solidariedade”, refere que a solidariedade deixou de inspirar os princípios fundadores e as normas de funcionamento das sociedades ditas desenvolvidas. Quais são, então, os princípios que o cientista político e social explicita como contrafeitos? Três, no essencial:

1º PRINCÍPIO - Nada tem “valor” se não houver contrapartida, ou seja, tenha valor económico. Assim, só possui valor de utilização os bens e os serviços comercializáveis concordantes com os interesses da economia capitalista de mercado. Eis a bandeira através da qual se procura fundamentar e sustentar os postulados exaltados da liberalização, da desregulação e da privatização, em desfavor da “necessária” extinção dos bens e dos serviços públicos.

2º PRINCÍPIO - A empresa privada é melhor que a empresa pública porque é uma organização estável para conseguir organizar as relações “comerciáveis” entre os membros de uma comunidade humana e entre os países. Nesta perspectiva, logicamente se convoca a tese segunda a qual o investimento privado é o motor do desenvolvimento de qualquer país e, consequentemente do seu desenvolvimento social, desde que não se inclua aqui o que não rende; os militares e as polícias, por exemplo, têm por função, neste quadro, isso sim, contribuir para a competitividade das empresas. Tudo o resto, é injustificável na linha de que o investimento público cria mais prejuízos do que proveitos. Reduza-se, com o tal apelo ao sentido de responsabilidade, as despesas públicas “não comercializáveis” e, em concordância, os impostos sobre o grande capital, as grandes fortunas e os grandes lucros.

3º PRINCÍPIO - Como corolário natural, a ideia de que o capital financeiro seria a principal fonte de criação de riqueza, insinuando a permuta desta do trabalho humano para o capital financeiro privado e, assim, inspirando a revogação de um sistema de valores desenvolvido e que, historicamente, ocorreu no último século.

 

Desta viciação de princípios, Riccardo Petrella diz resultarem duas consequências políticas e socioeconómicas que explicam, a inevitável necessidade do desmantelamento do Estado do “Welfare” por parte das classes dirigentes:

- O trabalho foi reduzido à categoria de custo para o capital, com a consequente e natural redução do seu custo através do abaixamento real dos salários ou da substituição do trabalho pelas novas tecnologias ou, ainda, pela deslocação das empresas para países de baixos salários e de fraca protecção social;

- O Estado ao tributar impostos com finalidades redistributivas passou a ser visto como prejudicial e, deste modo, naturalmente acusado de ser penalizante para a liberdade e a acção do capital. Ao colocarem-se, assim, os Estados em concorrência fiscal entre eles, através da contracção fiscal, favoreceu-se (e favorece-se) o propósito fulcral de destruição do Estado do “Welfare” como convém ao capital.

É nesta ordem de ideias, e noutras igualmente equivalentes, que o pensamento ético confronta a política, a economia e, até, a própria ciência contemporânea, de mau grado para muitos comentadores que hoje se passeiam, sem castigo, pelas nossas televisões ou escrevinham nos nossos jornais, sem que se interroguem se pode haver uma política legítima ou uma economia solidária que não se paute por uma normatividade tendente à realização da Ideia de Dignidade – meta incontornável de uma Ética Solidária para o nosso tempo.

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

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NÃO SOU EU QUE O DIGO

 

Economia Moral Política

Comprei na semana passada, um pequeno livro dos ENSAIOS DA FUNDAÇÃO (Fundação Francisco Manuel dos Santos), intitulado “Economia, Moral e Política”, escrito por Vitor Bento, homem licenciado em Economia e mestrado em Filosofia que ocupou, ao longo de uma intensa carreira profissional de 38 anos, diversos cargos de reconhecida responsabilidade pública e empresarial, tendo sido nomeado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, membro do Conselho de Estado, em substituição de Dias Loureiro. Tratando-se de alguém que se situa num espaço político e ideológico diferente do meu, mais estimulou o meu interesse pela sua leitura.

Confesso que li a introdução e, de imediato, passei ao último capítulo que, de forma simples mas clara, tematiza A recente Crise Financeira Internacional. Pretendo neste breve texto dar conta dos factores por ele referidos como sendo as causas mais relevantes desta crise que começando por emergir no sector financeiro, não é possível, ainda hoje, conhecer em toda a sua extensão. Refere o autor que embora os factores financeiros apareçam como as causas mais comummente apontadas para a origem da crise, várias outras, económicas e sociais, concorrem para o desenlace.

 

Neste enunciar de factores causais da crise, dois deles chamaram a minha atenção. Começo por referir a bolha especulativa que, Vitor Bento, caracteriza como um processo típico de “loucura colectiva, desencadeado quando um período de prosperidade funda comportamentos baseados em expectativas adaptativas de falsa valorização de activos que vai gerando uma incomensurável riqueza artificial até ao pânico que origina o crash final. De quem é a culpa? De modo sucinto, ele responde:

§ Dos reguladores, que não viram a tempo, e por isso não preveniram, as condições que alimentaram a insustentável inflação dos activos;

§ Dos bancos centrais, que mantiveram taxas de juro excessivamente baixas por demasiado tempo, favorecendo o enchimento da bolha;

§ De gestores e profissionais pouco escrupulosos, que criaram e venderam gato por lebre, acreditando, ou fazendo acreditar, numa nova alquimia;

§ De teóricos que acreditaram e levaram outros a acreditar na infinita capacidade auto-reguladora dos mercados;

§ Dos que descuraram a Macroeconomia e a gestão macroeconómica

§ Dos especuladores, não só os ricos e gananciosos mas também das suas próprias vítimas que puseram de lado a prudência e assumiram riscos excessivos, apostando a segurança do futuro no conforto do presente.

O outro dos factores que pretendo mencionar e também citado, como é óbvio, por Vitor Bento, remete-nos para o Funcionamento do Sector Financeiro e para as três causas a ele directamente associado.

§ 1ª causa – O crescente distanciamento da realidade tangível em que assentou o explosivo crescimento financeiro, sabendo que o papel económico fundamental deste sistema é intermediar, entre aforradores e investidores, a utilização da poupança e distribuir riscos. Dois aspectos são, assim, sublinhados como condições para o êxito desta intermediação; é necessário, por um lado, que os utilizadores de fundos lhes assegurem uma aplicação suficientemente reprodutiva, aumentando o potencial de produção futura e, com ele, a capacidade de conversão dos direitos de saque sobre ela existentes. Por outro, que a criação de activos financeiros se vá aumentando em linha com o crescimento do potencial de produção. E o que aconteceu, então? Vitor Bento responde: por um lado, um crescente desvio, para fins não produtivos, dos fundos disponibilizados pelo sector; e por outro, um desmesurado crescimento do stock dos activos financeiros, através de um processo de multiplicação de direitos de saque sem qualquer sustentação na realidade sobre a qual são sacáveis. Assim surgiram os conhecidos “derivados financeiros”, a inflação da percepção da riqueza e a desproporção que os esquemas regulatórios deixaram inchar até à sua implosão estrondosa.

§ 2ª causaA arrogância epistemológica proveniente do quadrante ideológico liberal que, reproduzindo a arrogância dos economistas socialistas … tentaram demonstrar, através de um conjunto mais ou menos numeroso de equações matemáticas, que seria possível conseguir uma afectação dos recursos mais eficiente do que o mercado.

§ 3º causa – Vitor Bento defende o princípio de que a eficácia do mercado enquanto regulador económico pressupõe, além do comportamento racional dos seus agentes, a sua atomicidade. Esta assegura a existência de uma diversidade de interesses, objectivos, visões e expectativas, em confronto permanente, para que se produzam equilíbrios razoáveis e não enviesados. Neste campo, o que aconteceu foi que, ao longo das últimas décadas, o modelo de funcionamento económico, e sobretudo no sector financeiro, foi construído assente em práticas inconsistentes com aquele princípio económico, com consequências tanto mais gravosas quanto mais globalizado o modelo se tornou. Deste modo, permitiu-se ou fomentou-se uma excessiva concentração das instituições financeiras e, por outro lado, promoveu-se uma padronização comportamental dos decisores, que, em geral, estudaram nas mesmas escolas, aprenderam a mesma doutrina, utilizam os mesmos modelos de análise e decisão, pensam da mesma maneira, reagem aos mesmos sinais, fazem as mesmas previsões e competem com os mesmos “benchmarks”.

ESCLARECEDOR !

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domingo, 5 de junho de 2011

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5 DE JUNHO - ENTRE A ESPERANÇA E O DESESPERO

 

Li o que não pude deixar de ler, escrevi apenas e-mails improrrogáveis e nada fiz que importe aludir ao longo desta última semana. Não obstante, andei muito atarefado, ou melhor, alegremente azafamado com convívios, afectos e memórias de stupidfamiliares e amigos que me fizeram viver e reviver. Ainda bem. Não dei por mim, nesta feliz circunstância, acareado com aquela vontade indeterminada, e de arriscada auto-compreensão, em ir de companhia com esse folguedo eleitoral feito de um vazio político penoso e desesperante. Mormente, descansei da perversa comunicação social que presta aquele submisso, comovente e patológico papel de perversão democrática.

Sou um, entre muitos, que entende que a democracia é tanto mais democrática quanto mais esclarecidos forem os cidadãos. Assistir, assim, à degeneração mórbida das inteligências estimulada por múltiplos figurantes, nos quais incluo, julgo que com toda a propriedade, os supostos doutos “politiqueiros” que se travestem de imparcialidade, constitui, para mim, o clímax do masoquismo moral e intelectual da farsa eleitoral. O PS recusa os privilégios de Marcelo mas não tem a vontade, e por isso dispensa a coragem, de fazer alinhar a prática com o discurso que a ocasião madrasta solicita no seu despudorado significado oportunístico. Mais do que discrepância, estamos na presença da eficácia de uma produção procurada da dita degeneração que serve aquela alternância que cria a verdadeira gordura do sistema; o sebo e banha dos seus gulosos.

Nesta pantomina trágico-cómica, os gulosos insaciáveis na voragem da sua avidez, tudo fazem para tornar os cidadãos em esqueléticos eleitores, mendigos de um direito que virou dever de poder escolher apenas os pratos do dia de um cardápio que exala o fedor da burocracia acomodada pelo mundo das negociatas, ambos com a reputação em baixa, atravessando desavergonhados as ruas da amargura ética. Como o passado recente tem vindo a acusar, os compromissos assumidos valem até ver e os direitos com facilidade são engolidos na sua historicidade pelas bocarras desses chulos glutões. Entre a esperança e o desespero, resta-me ainda a dignidade da história e a referência daqueles que serviram sem nada pedirem em troca. Todavia, até quando esta memória me dará energia para acreditar?

Imagem retirada daqui

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quinta-feira, 19 de maio de 2011

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O DESAMPARO E AS ILUSÕES ELEITORAIS

 

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Nós, os humanos, procuramos os laços sociais para nos defender dos nossos múltiplos e diferentes desamparos, sentidos, vividos ou imaginados. É a natural necessidade de proteção que nos leva ao alimento, ao afecto e ao amor. Ao longo do tempo, a natureza dessa dependência vai mudando, evoluindo do fisiológico vital para o alimento que dele transcorre para o universo complexo e humano do psicológico.

Logo, procuram-se as fontes que os desejos insatisfeitos reclamam, sejam elas religiões, mestres ou verdades, na ilusão de um qualquer acolhimento que nos transmita conforto e tranquilidade. Neste devir natural, surge então de modo dramático, um tempo cinzento em que descobrimos a insuficiência dos que nos são próximos e, em resposta a um forte apelo de sobrevivência, somos atraídos pela comodidade da oferta intrusiva de outros ideados poderes, dos deuses às teorias, na busca humana das ilusões necessárias à proteção sentida, pela sua carência, como angustiante e inconsolável.

Com o passar do tempo, a autonomia que descobrimos e desejamos passa a conflituar com as ilusões que a vida entretanto nos denuncia e, igualmente, embora de modo paradoxal, com a atração por nostalgias que nos fazem reavivar memórias em busca de um reencontro com um passado infelizmente perdido. É neste quadro de angústias que, através de construções imaginárias e simbólicas, internas ou voltadas para o exterior, os humanos procuram respostas de razoabilidade e de esperança histórica. O cinismo e a hipocrisia da argumentação política, densamente presente nesta campanha eleitoral, não eliminam – bem pelo contrário – este sentimento generalizado de desamparo em que todos nós, ou quase todos, vivemos.

Para memória futura MEMORANDO DA TROIKA

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quarta-feira, 18 de maio de 2011

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AS NOVAS OPORTUNIDADES E OS VELHOS PRECONCEITOS

 

01511A dupla Sócrates/Maria de Lurdes trataram, do meu ponto de vista, mal a educação e muito mal os professores. No entanto, não vou argumentar sobre essa realidade controversa e mais geral. Vou apenas referir-me à Iniciativa Novas Oportunidades (INO), questão aqui em apreço, tendo em atenção o que ontem pude ouvir no quadro fragmentado, e sempre simplificado, do folclore noticioso. Para descanso meu e de outros, uma nota prévia; a 5 de Junho não votarei Sócrates (“jamais”) e muito menos em Passos ou Portas. A nota prévia justifica-se porque quero afirmar, convicta e ousadamente, que a INO constituiu, talvez, a medida de política formativa mais relevante e positiva tomada pelo governo PS. Ao ouvir ontem - através da dita escolha noticiosa da sempiterna “inocência” da comunicação social - o cinismo aferrado dos interesses políticos de Sócrates, Passos, Portas e até de Carrilho, cumpre-me telegraficamente dizer o seguinte:

 

1. A INO constitui um programa diversificado que não se reduz, como muitos pensam, aos processos de reconhecimento, validação e certificação de competências (RVCC). Este dado quando omitido gera, inevitavelmente, uma confusão imprudente (baseada na ignorância) ou intencional (fundada na má-fé).

2. Assim sendo, o processo RVCC não é em si, nem pretende ser, um processo formativo ou qualificante; trata-se apenas de validar um conjunto de saberes e competências (de acordo com um referencial estabelecido) e, através dessa validação, certificar o adulto com uma determinada equivalência (escolar ou profissional) que lhe permita, e isto é que vale sob o ponto de vista humano, social e económico, inscrever-se em dinâmicas e projetos futuros de natureza essencialmente formativa e profissional (que a INO deve favorecer e/ou proporcionar) e não propriamente académica, como suspeita e receia a elite que Portas representa.

3. Certificar não é, necessariamente, qualificar. Este é o erro, involuntário ou deliberado de Passos e de Carrilho. Certificar é, neste contexto da INO e acima de tudo, conferir um passaporte para a formação/qualificação útil e necessária do adulto, nos planos pessoal, social e profissional. O conceito de educação e formação ao longo da vida, tão defendido por muitos que menosprezam o RVCC, a isso obriga. Caso contrário, esclareça-se as alternativas (concretas e não retóricas) que legitimam a depreciação mesquinha feita de uma persistência teimosa e duvidosa e de uma argumentação tão tola e primariamente elaborada.

4. Acrescente-se, no entanto, que o processo de RVCC, não tendo por centralidade a vertente formativa, não deixa de constituir um momento reflexivo de relevância na relação do adulto com os saberes, uma experiência formadora irrepetível nos domínios da autoconfiança e da motivação e, sobretudo, um espaço de descoberta que se materializa numa progressiva elaboração holística de projetos de vida assentes na importância que advém do reconhecimento social do que se sabe e sabe fazer e, com valor igual, da consciência que o próprio processo induz e possibilita de auto-reconhecimento das limitações próprias que interessam trabalhar e superar.

5. Como se pode subentender, a INO considera, na sua engenharia, entre outros dispositivos, cursos de educação e formação de adultos (EFA) que, esses sim, têm propósitos claros de formação, ou seja, de qualificação e, até, de dupla certificação/qualificação (escolar e profissional). Se essa engenharia é uma construção capaz de acolher a diversidade de realidades e públicos e a multiplicidade de propósitos (devida e claramente explicitados), é uma questão que importa avaliar social e politicamente, sem a qual se contribui para a confusão instalada que os políticos, sem pudor, disputam impudentemente em benefício próprio. Aqui, Sócrates está obrigado e esclarecer e a provar a qualidade da Iniciativa. Certificar sem criar, de modo pertinente, adequado e coerente, uma rede escalar de respostas coerentes às necessidades e expectativas geradas (pessoais e sociais) pelo processo RVCC, pode constituir um investimento megalomaníaco de retorno muito suspeitoso para não dizer criminoso. O debate político, por si, simplifica o que merecia mais honestidade e nobreza ética; as campanhas eleitorais já nem sequer simplificam … Destroem a disposição democrática dos cidadãos.

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