quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

E O ACINTE FUNDAMENTALISTA DO FIRMAMENTO CAPITALISTA?

A despropósito? Talvez. Mas a liberdade de expressão tem destas coisas…

Não é a insistente indolência em redigir que basta para me desaproximar da escrita. Em particular, apesar dessa corrosiva moleza, é a banalidade que me intimida e atemoriza. Neste tempo revelado pela madureza, o sobressalto ante o exaurido tornou-se, para mim, uma fixação mítica, quase religiosa. A difusa e irritativa suficiência consolidada na superfície da mediocridade burguesa, só de me poder atraiçoar, enregela-me o espírito. É uma maneira de estar que, embora pautada pelo pungimento, sinto mover-se na infindável e contraditória façanha catártica de um ser que se busca eticamente autêntico, campeando aqueloutra autenticidade, que acredito não ilusória, onde, num mundo resgatado por um sentido inteiro da condição humana, a diversidade seja possível. Creio que ser-se autêntico, verdadeiro consigo mesmo, requer uma intrepidez moral que se cimenta na compreensão de si como um ser de relação consigo, com os outros e com o mundo. Por isso, convictamente creio que, com a escrupulosidade imposta por esta autenticidade, quando se preza o outro como um Outro-eu, a necessidade do uso utilitarista da racionalidade instrumental enfraquece-se – admiravelmente, diga-se – a favor da humanização da vida (individual e coletiva), da valorização do social e do exercício nobre e exigente da cidadania.

Experiencio o mundo sentindo-me arrastado por distintos e coexistentes fanatismos – dos bárbaros aos silenciados, dos abjetos aos institucionalizados – para a fronteira de escalas (e escaladas) diversas cujos horizontes se revelam enxaras desabitadas de razões de esperança. Educado e inspirado pela ideologia marxista, a desesperança assim justificável questiona-me ideologicamente e esta (a ideologia), por resistência e concordância, concita-me a colocar esta minha presumível crise no prato do otimismo dessa vital balança que abre ou não, desbrava ou não, uma possível vereda solidária e preciosa no caminho de uma futuridade humanamente digna. A expressão mais sincera e genuína de solidariedade é estar ao lado dos fracos nas suas multíplices condições de iniquidade e de amargura. Servirem-se destes e da sua fraqueza para galgarem o poder falsifica a democracia, desafia os deveres da honradez solidária e invoca o legítimo e adicional imperativo ético e moral de lutar contra tal e tamanha promiscuidade política e humana. A louca dinâmica de empilhar capital, a consequente sucção da riqueza e a convergência ilegítima de poderes não se mimetizam num equivalente islâmico bombista mas é, manifesto, um desregrado conjunto alicerçante de um outro tipo de estado global, circulante, terrorista e corruptor que também mata, e faz sofrer, através da imoralidade de desigualdades de toda a ordem que, por si, determinam e delas se alimentam. O islamismo radical é objetivamente criminoso mas o fanatismo capitalista, financeiro e neoliberal não deixa de ser miserável. A realidade assim o confirma.

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sábado, 27 de dezembro de 2014

AS ONDAS PANTANOSAS DA INDÚSTRIA DA CONSCIÊNCIA

 

O atual pântano ideológico (que nos sitia) proclama o princípio supremo da livre competição, no granjeio sempre diversamente materializado, como uma condição medular à realização do bem-fazer coletivo. Como consequência, admitir e encalçar o desígnio do interesse comum torna-se, nesta imaginativa lógica, num cogitar fossilizado face à demanda do bem-conceituado sucesso individual e dos valores que o ratificam. Por vezes, quando a circunstância se oferece e se enfrenta o tema, as críticas dos presentes a uma tal premissa logo se rateiam entre o vanguardismo acusativo da retrogressão e a vigilância sarcástica do radicalismo revolucionário.

Os situacionistas, gente bem instalada e uma outra aparvalhada que se julga aí hospedada, de imediato se esquivam a malbaratar o seu suposto e aburguesado valor social, sempre superficial e quase sempre contrafeito, e corporificado por trás da lídima ostentação ou da mimetização burlesca da sua arquitetada aparência carnavalesca. No quadro desta sucinta sinopse, estes situacionistas, sobretudo os aparvoados, encanzinam-me porque, perdidos nas veredas da moda e dos seus modismos, pela estreiteza ou lateralidade destas, não enxergam o que vale pensar e discutir e, como nos alerta Kurz Robert, alegremente gastam o seu tempo crítico a surfar as ondas pantanosas da indústria da consciência. Nestas águas, as da consciência, procuro não ser cândido e muito menos indiferente. Assim sendo, tal agastamento não abocanha a tenacidade do meu enraizado inconformismo.

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

REMEMORAR O PASSADO

 

Seriamente penso que as memórias transfiguram sempre o passado. O tempo e o momento dispõem a alma a uma ficção apropositada. Parafraseando Dupuy[1] diria que a causa é [nestes casos] posterior ao efeito, [pois] o motivo da viagem é uma das consequências da [própria] viagem.


[1] Citado por Slavoj Zizek, em “VIVER NO FIM DOS TEMPOS”.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

NO ÍNTIMO DA PANTOMIMA ELEITORAL

 

A enunciação discursiva de bondosos princípios é a característica que mais brilha no intuito do encantamento, embuçando (vezes sem conta) a inteireza doutrinária de sorrateiras razões convertidas em meritórias convicções. Os princípios invocam o prestígio da universalidade e o fraseado judicioso que os escoltam outorga-lhes credibilidade, tudo acontecendo em simultâneo com o resguardo da dosagem de antemão acertada, que na sequência do todo, legitimará as inconsonâncias do que se propõe empreender. É no acinzentar deste resvalo que o discurso político (e não só) se posiciona e se disputa concorrendo para a sua apostada e eficiente opacidade. A acareação eleitoralista, já em tempo de crispada profusão, espelha com uma cristalinidade espantosa aquela dissonância e, sobretudo, desvela a sua natureza rasteira, fingidiça e impudente de pura aliciação e caça ao voto. Aqui, em particular, a aplicação ética do cinzento não combina.

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sábado, 29 de novembro de 2014

VASSOURAR A BANDIDAGEM – UMA OBRIGAÇÃO DE TODOS NÓS

 

Já não suporto escutar nem ler os igrejeiros que, embarricados na desarmonia dos seus desesperos tribais, esparrinham ódios dos telúricos lugares das suas cegas paixões. Mais do que se excreta, fica a estéril certeza da conturbação caótica dos ânimos que, dos dois campos da adversão, ulcera o lastro mútuo das animosas arremetidas.

Não obstante, a hediondez do espetáculo da corruptela aformosear a monstruosidade que a agiotagem obstinadamente apresenta da figura do Estado, a trágico-comédia, há largos anos em cena, revelou-se estética e gradativamente aprimorada quando os regedores, como corruptos, se tornaram atores e, enquanto regentes, apenas meros figurantes.

Neste tempo de sérias perplexidades, de expressiva fragilização das estruturas políticas e das instituições do Estado, da desvalorização do trabalho e do retrocesso civilizacional e jurídico dos direitos das pessoas, apraz-me aqui sinalizar e evocar, neste brevíssimo desabafo, D. Helder da Câmara, bispo do Recife, citando-o: “Quando alimentei os pobres chamaram-me santo; mas quando perguntei porque há gente pobre chamaram-me comunista”. Pois é…

O proxenetismo vagueia por aí, sobretudo bem escondido nesse alienante lamaçal onde a cultura da bandalheira política e ideológica coabita em lúbrica e silenciosa comunhão e proveito com o ladro mundo financeiro das negociatas. Doa a quem doer, faça-se Justiça e com esta se contribua para o acesso reversivo ao enobrecimento da Política, à qualificação da Democracia e à humanização da Vida das pessoas. A promiscuidade apontada e a corrupção anunciada – e não propriamente o Estado – constituem hoje o verdadeiro monstro que desnatura as nossas intrincadas existências. Torço pelo sucesso do Direito sobre a Política no que concerne à impunidade dos poderosos. Ponto final.

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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

DÓI ESCREVER

 

Há uma incomum indolência que me trava as ideias e a escrita que delas pode cuidar. A sentida vulgaridade dos meus desassossegos desponta em mim o desprazer intimidante da banalidade. A sinceridade sinto-a insuficiente e a vontade da autenticidade – essa inseparável e dolorosa incitação – esgota-se na incessante busca da alteridade que a ilumine. As procuras permanecem desmedidas e os retornos continuadamente estreitos e frustrantes. Aflora-se-me o desconforto da falha e afadiga-me a amarga frieza do desabrigo. A mentira que me recolhe é a mesma que, desgraçadamente, me oferece a sua pérfida aleivosia. Os caminhos percorridos, traçados pela difusa indiferença, não me levam ao acolhedor lugar do autêntico. Sobra-me assim os atalhos que tenteio e que aos poucos vou penosamente desencantando. Confiante num esperançoso desconhecido, aguardo que este não me amuralhe a experiência do possível. Naturalmente acompanhado com aqueles que, arrastados pela mesma inquietação, se disponham a afrontar as raias irremovíveis do exercício fecundo da alteridade. Gostaria de ser, e não apenas acreditar ser, para comunicar com verdade e autenticidade. Nunca se sabe se um dia o mito acontece e eu poderei assegurar que por ser, deixei de ser o que era.

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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

VOLTANDO AO TEMA DA FALSIFICAÇÃO DAS CLASSIFICAÇÕES ESCOLARES

Ao meu amigo Sérgio, a quem prometi uma resposta mais fundamentada sobre a minha postagem de 20 de setembro, intitulada CONTRABANDO OU APENAS GENTE DE MÁ NOTA?

Começo por apresentar ao Sérgio os meus cumprimentos e, junto com estes, as minhas desculpas pela demora da resposta há muito prometida.

Amigo Sérgio; sobre o tema em causa, expresso através de um texto necessariamente telegráfico (escrito de e para um blogue, logo curto, ao qual se fez acasalar um tom deliberadamente jocoso), muitas interrogações seriam possíveis e passíveis de serem colocadas, não só por estas características que acabo de mencionar como também, e sobretudo, pela complexidade do próprio tema.

No essencial, o que procurei ironicamente condenar foi o publicado espavento (e não propriamente o pasmo público) sobre os condenáveis comportamentos das instituições escolares no que às avaliações dos alunos diz respeito. E isto porquê? Porque os hosanas cantados aos celebérrimos rankings empalmaram, na altura e sem pinta de embaraço, a natureza diversa e intrinsecamente complexa da realidade educativa, fabulando a batota da homogeneidade (social, cultural e economicamente dizendo) sob a regência da batuta axiológica da justiça, orquestrando uma peça musical melódica onde o mérito se tornou o mote. Daí que, o espanto revelado atesta, para mim, uma de duas coisas; ou credulidade insciente ou tão-só ciente má-fé.

De uma forma sumária, passo (no entanto) a elencar apenas três dos tópicos (provavelmente os mais estruturantes) que sustentam esta minha perspetiva crítica, não entrando sequer na arquitetura matemática dos resultados que, pela sua conjuração, constrange as instituições escolares às inclassificáveis manobras, umas movidas por uma patética sobrevivência, outras catando, como convém neste mercado da educação, um prestígio indevido:

1. De uma forma geral, os rankings, nos seus múltiplos (e alguns verdadeiramente carnavalescos) campos de serventia, constituem um implemento precioso (deste impiedoso capitalismo neoliberal) que tem por função amamentar (leia-se, dar de mamar) a uma interminável e meliante concorrência (competição), justificando-os (os rankings) com base na suposta relevância social (diga-se, sistémica) das seriações daí decorrentes;

2. No domínio da educação, para além deste transversal tormento ideológico, os rankings escolares sofrem de algumas (outras) sérias e preocupantes distorções pois o processo escolar institucional, ao envolver a irrevogável responsabilidade ética da formação e do desenvolvimento de todas as crianças e jovens, faz com que seja da mais elementar honestidade e justiça ter-se (seguramente) presente que esta incumbência se inscreve num campo fortemente marcado pela diversidade (individual e sociocultural), ao qual acresce uma realização que se efetiva também e igualmente em contextos dissemelhantes e compósitos no que toca aos recursos, designadamente físicos e materiais.

3. Deste modo, neste quadro incontornável de assimetrias e desigualdades, desconsiderar as histórias autênticas que, sempre intrincadas e multifacetadas (e existindo massivamente), reclamam a (cons)ciência da diferença, da sensibilidade e da aceitação – feita de penosos diagnósticos e de engenhosidades incertas, eticamente persuadidos da certeza das necessidades das crianças e dos jovens – não posso deixar de perguntar; como se pode garantir, neste lôbrego e sectário espetáculo da simplificação, rigor na avaliação do que nas escolas se faz se não através de uma dramática invencionice ideológica assente numa colossal mentira social e institucional?

Termino, invocando aqui Bento de Jesus Caraça que não comparece, nestas circunstâncias, como tu podes imaginar, por acaso. Para além de constituir uma referência bem presente no espírito crítico que trespassa este escrito, foi ele que no, plano institucional e simbólico, nos aproximou. E ainda bem.

Um abraço amigo.

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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

NÃO DISPENSEM O PENICO A TAIS VÓMITOS

A soldadesca portuguesa de licenciados, em número de 17%, torna-se – como se pode amavelmente aperceber – uma inutilidade terrificante frente à talentosa hoste pensante alemã dos 25%. Apesar da discrepância dos números, a embevecida gnose merkeliana enxerga nesta risível desproporção um espavento que este país de gente bruta e grosseira não merece. A saloiice da arte é simples; faz-se sobressair uma relação improvável (o desemprego como consequência de muito saber desacertado) para dar forma e sentido a uma lógica que à problemática (do desemprego) acrescenta ficções e nunca soluções. Como nos diz hoje[1] Ferreira Fernandes, a Angela veio a Portugal falar para os seus, bolçando: “Com essas ilusões das universidades, os cafres não andam a mandar os serralheiros de que vocês precisam”. Estes indómitos alemães há muito que empurram as suas fronteiras geográficas para as raias dos seus esganados interesses. Este regurgitar é histórico e, por isso, evocar o sentido da história não faz mal a ninguém, sobretudo às suas costumeiras presas.


[1] Diário de Notícias (5 de novembro de 2014)

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terça-feira, 21 de outubro de 2014

AS ONDAS NÃO DERAM PARA SURFAR

Prós e Contras de ontem trouxe à cena a Vida Difícil das Escolas. Na minha despretensiosa opinião, dos convidados em palco apenas um saiu decentemente desta mediática representação. O Domingos Fernandes foi o único que, de um modo enérgico, lembrou amiúde aquele que foi o grande ausente do debate, ou seja, a denúncia da desastrosa política educativa (e social) deste governo. Por sua vez, o suplente do foragido Crato, de ar beato consentâneo, entrincheirou-se na sacristia preocupado com o amanho da sua desarrumada igreja. Todavia, ajudou à missa intentando, com uma expressiva bonomia cristã, esquivar-se ao pecado da inoportuna discórdia. Por outro lado, o atabalhoado Couto dos Santos, contrastando com o sacristão seu vizinho, mostrou-se (sabe-se-lá-por-quê) acirradamente encolerizado ao ponto, perceção minha, de não saber por vezes (e foram muitas) onde estavam as mãos e se achavam os pés tal a agitação caótica do cocuruto e da palavra solta sem ordem nem condução. No que respeita à deputada do PS, essa foi por demais previsível e reverente, nas suas maneiras e nos seus argumentos, acusando uma estranha e adocicada candidez que tornou inócuo o instituto da crítica.

Dos presentes vieram, todavia, algumas pedradas que agitaram o charco dos silêncios deliberados por detrás dos quais se ocultam teimosamente a verdade material dos problemas e, com isso, se desbarata possibilidades (até ver) de impensadas soluções. No registo das singularidades, lembro a lúcida intervenção de um participante professor de história que, numa linguagem de sábia simplicidade, pôs o dedo na ferida desta sórdida e progressiva desqualificação social dos professores. Contudo, permitam-me apontar que, se este governo os amaldiçoa, os professores, a irascibilidade de Maria de Lurdes Rodrigues está irremediavelmente comprometida com esta lamentável história, comprovada e gravada em lápide com a inscrição da sua malfadada sentença perdi os professores mas ganhei os pais e a população. Aqui reside, ou também reside, muito provavelmente, o facto destes prós e destes contras não terem formado ondas suficientemente alterosas para o surfar competitivo que a prova requereria aos convidados presentes. Paciência; demos tempo ao tempo para aquilatar da verdade das promessas (aduzidas) e e das competências (insinuadas) em palco. Por mim, lamento relembrar que, tal como o gato escaldado, da água fria tenho medo e do natural sufoco (por)vir!

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sábado, 18 de outubro de 2014

ALORPADO MAS … NÃO TANTO

 

As afetadas e analíticas arengas dos economistas, sobretudo daqueles que mumificam no tablado mediático, abespinham-me por vários porquês, dos quais aqui apenas acuso dois deles. O primeiro – raiz da intensa e difusiva canga ideológica dos tempos – porque não tenho ciência bastante para descodificar toda aquela cabalística linguagem técnica que, recolhida sobre si, nada acorre à minha retratada insipiência. O outro, o segundo, certamente dispondo dessa insciência minha e de muitos mais, tem a ver com a implicante e asnática soberba dos ditos que tudo fazem para acoitar a natureza estimativa do seu arrazoado e a hercúlea construção histórica da adequada fórmula política e social dos números que regurgitam, encenando (para tal) um patinar galante sobre o gelo das certezas matemáticas inquestionáveis. Para quando esta gente tão versada não me apresenta a mim, que não sou propriamente um apatetado deprimido, mas igualmente aos desfavorecidos deste mundo e em linguagem de gente, os fundamentos que legitimam, animam e determinam as indecorosas distribuições de rendimentos e as pornográficas desigualdades daí decorrentes. Se tiverem coragem e forem capazes, credibilizem o sistema (que tão piamente agasalham) começando exatamente por aqui.

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