sábado, 4 de julho de 2015

QUE ESTÃO A FAZER À GRÉCIA TEM UM NOME - TERRORISMO

 

NOTA - O ponto de partida deste desabafo tem origem nesta notícia 

Eu, sinceramente, não tenho grandes dúvidas. O capital, hoje na sua expressão financeira e globalizada, arreganha os seus ulcerados, sanhosos e ignominiosos dentes ao povo maioritário e, como tal, ao fazê-lo, desnuda a sua odiosidade de classe à democracia como valor político atendível. Um discurso manhoso e unguento, historicamente reiterado que se vai espelhando ciclicamente ao longo dos tempos, e que procura (apenas e tão-só) estrumar o medo e abrasar a incerteza em seu particular proveito. Independentemente de (ou dos) resultados mais imediatos, reconheça-se que o atual governo grego acareia, com ousadia e tenacidade, essa mefítica viscosidade destilada do tumulto demoníaco, hoje bem vivo, da natureza do sistema capitalista. Por mim, estou convictamente ao lado da coragem do dizer basta e, isto posto, engajar-me no rumo histórico – incerto que seja – das possibilidades do NÃO.

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quarta-feira, 10 de junho de 2015

AS DANÇAS DA SIGNIFICÂNCIA SOB O VÉU DAS APARÊNCIAS

 

… ou a moralidade política da mentira

Espero, observo e acompanho, com manifesta inquietude, o atual momento da incerta e controversa situação grega, europeia e não só. Presencio labirínticos negociamentos com múltiplos (e mancomunados) poderes, abarcando (como é óbvio) a lacaiada que a estes assiste. Neste melífluo e embrulhado tráfico de interesses, questiono-me, como é lógico, sobre a imediatidade dos resultados a que se possam chegar. Ainda assim, mais do que reputar estes fins subitâneos, interessa-me apreender os rumos a que eles conduzem, descodificar os modos e as razões por que são eles sobremaneira qualificados e descortinar a medular e obscura irmanação que entre esses mandos (de diversas jurisdições) se firmam e consolidam.

Não obstante, como causa maior, importa captar a sanha que conduz o brumoso apuro e refinamento das irreveláveis simulações, dissimulações (ou mesmo mentiras) que assediam os povos neste obnubilado e prolongado ajuste. Ao longo do tempo, com a vida e com os tropeções nela ocorridos e a experiência das suas chagas acumuladas, adestrei-me na vigilância suspeitadora de sensos calcetados em números, desses números que aligeiram respostas e (amiudadamente) afastam a nossa atenção (e cuidado) da essencialidade dos problemas. Desta feita, um cinzelar astucioso (de expedientes e modos reguladores de difusão e representação) completa o método e requinta o seu eficiente e ordenador papel de aquiescente intimação sobre as tais obscurecidas (embora utilíssimas) respostas.

Não sei se o povo é facilmente enganado ante um saber convenientemente debruado e colorido que o embaraça de avistar o exato alcance de tão perentória (e particular) ciência. O que sei, porque o alarde é evidente, é que as rédeas que estas indecorosas governanças puxam não prescindem da conformada presciência de tirar partido – em cada conjuntura, situação ou mesmo agitação – por meio do empenho da maquinação e da encenação do chamamento à costumeira e mesquinha fragmentação do social, acorrentado aquele à difusa abantesma do medo, dando largas às suas exercitadas maestrias de raposa (astúcia) e de leão (temor), na recorrente (e já histórica) peça teatral evolutiva do seu desalmamento, porfiando teimosamente a celebração da ideia, aliás sempre abafada, de que os fins justificam os meios. Os homens, sobretudo os que dominam, na ausência de alertas e de ações impedientes, apenas evocam e fitam os (seus) fins. A natureza instrumental da mendacidade, nas suas múltiplas formas, converte-se na dimensão essencial (e fecunda) da moralidade política da mentira.

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domingo, 17 de maio de 2015

UM DESFECHO POSSÍVEL QUE OBRIGA POLÍTICA E SINDICALMENTE

10422041_904601159576383_8116104510167251278_nUm universo sindicalista (autónomo, inclusivo, crítico e progressista) constituído em lista, disponível abertamente para o diálogo com os demais atores igualmente críticos (sejam eles políticos, sociais ou educacionais), tudo indica que vai vencer as eleições no SPGL (Sindicato dos Professores da Grande Lisboa). Se tal facto se cumprir, impõe-se significar, com singeleza, este sinal histórico como um momento desafiante e vincular de responsabilidade coletiva neste estendido incitamento de necessária mudança e transformação social.

Disse-se ao que se vinha. Agora, impõe-se uma prática consequente, sem tibiezas, assente numa inteireza clara, transparente e emancipatória. Os professores assim o exigem e a cidadania crítica igualmente aguarda. Estou nessa, estando convosco. Não é um privilégio mas sim um compromisso, sobretudo ético, social e educativo.

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terça-feira, 5 de maio de 2015

TARDE DEMAIS

Muitos contam a si próprios histórias sobre si mesmos sem se darem conta da mentira que da sua vida fizeram e, em jeito de tardia sobrevivência, embora desajeitadamente, obstinam-se em a prolongar. Certamente, tarde demais, surpreendem-se (quando, e se compreenderam entretanto) que as mentiras que a si contaram, contando aos outros as suas próprias mentiras, os sitiaram na clausura penosa de um beco sem saída. Enfim, talvez tarde demais. Fizeram apenas o que as mentiras confirmavam mas, no íntimo e com verdade, sentem que pouco ou nada fizeram. E o que fizeram, fizeram-no sem a alma contagiante da autenticidade que ceiva e desafia a própria Vida. Povoaram, afinal de contas, a inércia obscura de um licencioso e arrastado definhamento que sempre os atraiçoou. No essencial, tarde demais sentem ter vivido um atormentador velório, sem finado, à espera do seu aquietador e triste fim. Sim, tarde demais.

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sexta-feira, 1 de maio de 2015

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A MERDA DO ESTREBUCHAMENTO QUE MEDRA

 

Nota – Merda apenas pretende expressar a minha e muito pessoal irritação e repulsão pelos papagaios mediáticos.

A inconformação, por tento e tato, quando (nos diferentes canais televisivos) vê e ouve os papagaios de serviço bolçarem iguais rações desmesuradas de eupatias, empenha-se (levado por um desvio ajuizado de leitura) em significar o lídimo texto de fundo, ou seja, aquele que o dito (afinal de contas) procura capciosamente acobertar. Para tal, à destinação do entorpecimento que o ludibrioso encalça, a crítica informada e inconformada resgata (ou para isso se esforça) o sentido cobiçoso inoculado pelas malsãs homiléticas dessa serventuária família mediática de psitacídeos.

Com persuasão asseguro que o tempo histórico de hoje obriga a um conhecimento (talvez outro) necessário e fundamental, com inscrição no real humano, capaz de ampla penetrabilidade social e de viável abrangência, sem ambiguidades ou vaguezas, em pontos concretos do existencial vivido. O discurso de apresentação da candidatura de Sampaio da Nóvoa encaminhou-se (do meu ponto de vista) neste roteiro. Daí, o meu enaltecimento.

Para a esquerda (feita da inconformação de que falo) vencer as presidenciais passa (assim penso neste crítico momento histórico) por sobrepujar não só a nossa direita paroquial como refutar (com coragem e persistência) essa outra merkeliana europa conservadora, capitalista, clerical e colonialista, como tão bem diagnosticou e pressagiou (em devido tempo) Olof Palme. Por isso, nós, os inconformados, sentimos que temos Homem para este arrojo necessário e comum de lucidez, liberdade e destemor.

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sábado, 25 de abril de 2015

NÃO SE PODE PEDIR COICES A UM CAVALO DE CARROCEL

Um desabafo sobre Thomas Piketty e o seu Capital no Século XXI

O mundo à medida do Capital, que no tempo que ocorre estrangula, com desumana violência, o campo imenso do trabalho, tem vindo a mover-se e a envolver-se em uma vigorosa onda sistémica que a seu favor estorcega, sem clemência, não apenas a esfera do económico como também as jurisdições da política e da cultura, atroando impassível as sociabilidades que conformam a vida e o dia-a-dia dos trabalhadores e das suas famílias. A mancebia amorável, todavia dissoluta, do acasalamento neoliberal com o fundamento pós-modernista explica, e em muito, a escala e a sucessão dos fenómenos sociais que dessa intimidade desabrocham e que enchiqueiram hoje, como no passado, o mundo da grande maioria das pessoas que do trabalho vivem.

Perante tão dramática realidade, pergunto-me; e se, de uma vez por todas, deixássemos de encarar às avessas este mundo e definitivamente sepultássemos a peregrina ideia de que é o dinheiro que gera riqueza e nos convencêssemos que somos nós, os trabalhadores, quem afinal produz o Capital. E se desistíssemos de pensar o Capital como o dinheiro dos ricos, como nos aconselha Frédéric Lordon[1], e aprendêssemos com Marx que o Capital “é um modo de produção, isto é, uma relação social. Uma relação complexa que, à relação monetária das simples economias mercantis, acrescenta – é este o centro de toda a questão – a relação salarial, constituída em torno da propriedade privada dos meios de produção, da fantasmagoria jurídica do ´trabalhador livre`, esse indivíduo todavia privado de qualquer possibilidade de reproduzir por si próprio a sua existência material, e por isso atirado para o mercado de trabalho, forçado, para sobreviver, a empregar-se e a submeter-se ao controlo patronal, numa relação de subordinação hierárquica”? A mutilada epistemologia de Piketty, sobre estas questões, nada diz porque a raiz dessa mesma epistemologia não inscreve, de modo claro e consequente, o incontornável antagonismo Capital/Trabalho. Daí, o seu Capital do Século XXI ter merecido uma surpreendente (ou talvez não) unanimidade mediática.


[1] Do artigo no LE MONDE DIPLOMATIQUE, edição de ABRIL 2015, de FRÉDÉRIC LORDON, intitulado Com Thomas Piketty, não há perigo para o capital no século XXI.

NotaO título dado a este texto é uma expressão de FRÉDÉRIC LORDON usada no artigo acima referido.

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quarta-feira, 15 de abril de 2015

O BRUAÁ DO ASSANHO

 

De relance, creio identificar os porquês que (certamente) esclarecem a chinfrinada à volta da factível candidatura de Sampaio da Nóvoa a Presidente de todos os portugueses:

(1) – O candidato a candidato não provém do promíscuo mundo dos negócios, não foi desemprenhado pela comprometida indústria da comunicação massiva e desperta, aos olhos de muitos desesperançados, uma imagem responsável (não populista) de independência político-partidária pouco confortante ao statu quo sistémico e aparelhístico;

(2) – O candidato a candidato projeta, com coragem e clareza, uma tonificante e coerente mensagem cívica e política, informada e criticamente escorada em dinâmicas sociais e culturais emancipatórias de valorização humana e de qualificação existencial;

(3) – O candidato a candidato tem-se dado a conhecer como um homem de dimensão superior, de invulgar compreensão científico-filosófica e político-cultural da totalidade complexa deste agregado de mudanças e de situações significativas que constituem a dramática realidade desta ordem hoje mundializada.

Sampaio da Nóvoa parece ser, depois deste calamitoso mandato de Cavaco, um homem que saberá tornar a cidadania em uma categoria, diria epistémica, valorizadora do campo e da ação políticas, inscrevendo no exercício dessa mesma cidadania, renovadas referências, linguagens e padrões de racionalidade que as condições históricas atuais, do meu ponto de vista, não só reclamam como exigem. Por isso o bruaá à volta da sua candidatura percebe-se e, exatamente por que se percebe ao captar-se o seu sentido e significado, vale a pena enaltecer as qualidades pessoais, públicas e cívicas de Sampaio da Nóvoa.

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terça-feira, 14 de abril de 2015

EM TEMPOS DE ELEIÇÕES, AS CONCIÊNCIAS E AS VONTADES NÃO ESCAPAM À COBIÇA DOS MERCADOS

 

Neste clima eleitoral, em que o disfarce e a mentira animam a manipulação e se dão a reconhecer os mercenários que, partejados pela impetuosa indústria da comunicação, buscam pinchar poderes de novos palcos, aqui deixo o Elogio da Dialética, de Bertolt Brecht, como rumo sem fim à única Democracia em que creio.

 

A injustiça avança hoje a passo firme.

Os tiranos fazem planos para dez mil anos.

O poder apregoa: as coisas

continuarão a ser como são.

Nenhuma voz além da dos que mandam.

E em todos os mercados proclama a exploração:

Isto é apenas o meu começo.

 

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem:

Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo nunca diga: nunca.

O que é seguro não é seguro.

As coisas não continuarão a ser como são.

Depois de falarem os dominantes, falarão os dominados.

Quem pois ousa dizer: nunca?

De quem depende que a opressão prossiga? De nós.

De quem depende que ela acabe? De nós.

O que é esmagado, que se levante!

O que está perdido, lute!

O que sabe e o que se chegou, que há aí que o retenha?

Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

E nunca será: ainda hoje.

 

Invoco cuidado e atenção para esta abjecta avidez de domínio de consciências e vergadura de vontades. Eis o além do exercício da violência de tão poderosa venalidade.

 

 

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sexta-feira, 20 de março de 2015

ONDE ARRUMO O QUE SUPONHO ESQUECER?

 

Um mês depois, volto ao GRITO mas desta vez com recônditos ARGUMENTOS…

Sem sossego, surrado pela normalidade da vida, sinto-me sendo o que ainda vou sonhando ser. A heteronímia que em mim se espreita, e me move afinal nesta agitação de ser, encalha numa insubmissa identidade que resiste ao enfadonho subterfúgio de ser apenas um outro incerto. Por isso, para além da fadiga que me cansa a alma, a escrita possível – e que dessa lassidão teima em sobreviver – nem sempre escapa à descrença desse sonho que advém de um estranho e arrebatador desejo, sempre forte e irresistível, que em mim desperta a ânsia ébria de tão-somente sentir ser. Dar vida e voz a tão forte avidez exige de mim a presença, desprendida e tranquila, de uma arguta cumplicidade que a tome e, com verdade e atenção, cuidadosamente a alente. Na ausência dessa reciprocidade, a ocupação da escrita submete-me sem fim ao trânsito inevitável de uma amarga desordem, de um ingrato tempo de entremeio que se afunda numa delicada e extenuante arte de engaste e que, de algum modo, me atormenta e até deprime.

Não tenho ilusões. Sei que as minhas memórias abrigam feridas que não me satisfaz avivar. Na inseguridade da permanência dessa certeza, e da violência do seu silêncio, experimento um singular tempo de fortes ventos incitados por temeridades cogitadas, assim creio, de írritas inquietações. Logo, não sei se o-que-vou-sendo tem as suas raízes no chão da memória que ressignifico, se na cripta do esquecimento que desafio ou – como saberei? – se no baldio da (des)lembrança que decididamente não encorajo. Em consciência, não me sinto encarcerado no interior conflituante dos aludidos povoados e dos seus dissimilares proveitos. O que sei, de um saber sentido, é que deste transcorrido mundo o que me aproveita não é certamente fixar o passado mas, a partir dele, saber esclarecer um porvir que me acalente o ânimo de desvendar renovados horizontes, escolhas e possibilidades, de ainda vir-a-ser. Deste jeito, a vivacidade do esquecimento assim arrumado reanima a ressignificação das memórias que me acompanha nesta penosa faina de escrever.

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

UMA INTERROGAÇÃO ÉTICA – DO TRUNFO AO TRIUNFO DA BATOTICE

 

Não estou acostumado mas também não me sinto (per)seguido pela sombra da perplexidade. Dedicados cristãos e ateus resolvidos, apesar das suas avessas justezas – uns crendo que Deus criou o homem, outros acreditando que foi o Homem que concebeu deus – ambos espelham com agrado, entre o louvor e a conveniência, o revelado rosário das melodiosas e sociais prédicas do Papa Francisco, de acordo com a natureza religiosa ou laica das suas espiritualidades. Donde vem esta sensibilidade comum que convizinha estas contrastantes almas, admissivelmente sobrevindas, do Cristianismo os primeiros e, quiçá, do Ideal marxiano os segundos?

A minha exegética explicação – e aqui vai a sua premissa medular – é que uns e outros são sensíveis ao sofrimento dos homens e das mulheres desterrados do chão da sua dignidade e, por via disso, uns e outros sentem-se irmanados não só na queixa (e natureza) desse desditoso calvário como comungam no concerto das suas causas e, eis a suma notícia, no apontar condenatório dos factótuns cultores, obscuros e inumanos, dessa alienante atmosfera que acorrenta as gentes ao dinheiro mediante despudorados e desalmados encantamentos, preceituando e compulsando, deste jeito, a cruenta lógica de uma realidade social agoniada pela voracidade da renda e pelo ascoso cálculo dos que muito têm e mais querem ainda.

As teologias, cristã e laica, descobrem-se então naquele rizoma ético de germana humanidade enquanto uma outra gente, seguramente mais germânica, bem-apessoada, de jesuítico rosto e semblante altivo, taramela, em chorrilho, razões de mercado papeados em ruidosos e esgarçados números que, adormecente na sua presunção, espertam afinal a penúria e a plebe que dela amarga. Pedro Sampaio Nunes, no Prós e Contras desta segunda-feira[1], foi um indiscutível artista, histrião arquétipo dessa outra gente. Antecipou e regurgitou números sobre os números dos outros, arengou sobre eles empertigado e possuído por um sentido único e forcejou-se por catequizar os incautos chamando à encenação, com tocante contumácia, o uso simples mas espelhante de uma banal folha de Excel. Sempre improporcionado, os desfechos das suas oratórias económicas culminaram, através das suas mensagens epilogadoras, numa patética mas desmascarada exaltação política à lufa-lufa dos coveiros dos nossos cemitérios sociais e humanos. Em jeito de conclusão, configura-se-me, deste modo, como sempre atual a inconciliabilidade entre (os números do) Capital e (a verdade do) Trabalho, reconhecendo que a utilidade das categorizações, por si só, não consubstancia a engenharia reversa desta farsante e ignóbil batotice. Mas a batota, essa, transparece nua e obscena apesar de embrulhada no sorriso emproado e desdenhoso dos trapaceiros.


[1] 23 de Fevereiro de 2015

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